O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou nesta quinta-feira (1º) que acompanha “bem de perto” o processo eleitoral brasileiro, qualificando o pleito como “muito importante”. A declaração ocorre às vésperas do primeiro turno, agendado para domingo (4).

Em resposta a uma jornalista sobre o cenário eleitoral do Brasil e a importância do país na região, Trump foi conciso, sem mencionar nomes de candidatos. Ele afirmou: “É um país incrível, o povo é fantástico, é uma eleição muito importante”. A fala de Trump ganha destaque em um momento em que o Brasil tem expressado preocupações sobre uma possível interferência externa no processo eleitoral, com o tema sendo abordado na agenda diplomática entre Brasília e Washington.

Relação entre EUA e a eleição brasileira

A corrida presidencial brasileira se aproxima do fim do primeiro turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico, conforme indicam pesquisas. Diante disso, o governo brasileiro tem demonstrado apreensão com eventuais ações estadunidenses relacionadas às eleições.

Em agosto, uma fonte brasileira teria informado à Reuters que Brasília interpretava movimentos do Departamento de Estado como tentativas de intervenção. Na época, foi noticiado que Flávio Bolsonaro foi recebido por Trump na Casa Branca, e Washington teria tentado enviar funcionários ao Brasil para discutir o processo eleitoral, incluindo um encontro com o senador. A questão também foi pauta para o governo Lula antes da Assembleia Geral da ONU, quando o Brasil planejava defender sua soberania e discutir os riscos de interferência estrangeira.

A agência Reuters também mencionou que assessores de Trump já haviam expressado apoio ao adversário de Lula, embora o presidente dos EUA não tivesse se manifestado publicamente até agora. A declaração desta quinta-feira marca a primeira vez que Trump reconhece publicamente o acompanhamento do processo, sem, contudo, declarar apoio a um candidato específico.

Acompanhamento do cenário político e repercussão internacional

O interesse de Washington pela política brasileira não é recente. Em setembro, membros do governo estadunidense informaram ao UOL que monitoravam a crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal. O mesmo veículo noticiou divergências internas na administração Trump sobre a abordagem da eleição brasileira, com alguns defendendo maior apoio a Flávio Bolsonaro e outros preferindo uma postura pragmática.

Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada dos EUA no Brasil, afirmou em agosto que não interferiria no processo eleitoral. A possibilidade de interferência dos EUA na eleição brasileira também repercutiu na imprensa internacional, com veículos como The New York Times, The Guardian, Le Monde e Reuters destacando a atuação do governo Trump na América Latina e a proximidade com forças políticas de direita.

O New York Times mencionou que autoridades brasileiras intensificaram o monitoramento de lobby estrangeiro e desinformação, enquanto o Guardian avaliou que uma mudança de governo no Brasil poderia fortalecer a política intervencionista dos EUA no Hemisfério Ocidental. Críticas a pressões de Washington sobre o Brasil também foram publicadas no Le Monde. A Reuters informou que representantes da França e Alemanha receberam informações da Abin sobre supostas interferências dos EUA e da Rússia. Essas preocupações surgem após Lula ter alertado Trump para não interferir na eleição brasileira.

Próximos passos do pleito

O primeiro turno das eleições gerais ocorre neste domingo, 4 de outubro, quando os eleitores escolherão presidente, governadores, senadores e deputados. Caso nenhum candidato à Presidência obtenha a maioria dos votos válidos, o segundo turno será realizado em 25 de outubro.