O então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em 26 de outubro que havia recusado uma proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz. A oferta iraniana, que incluía a reabertura da passagem marítima em uma semana, estava condicionada ao cumprimento de uma série de exigências por parte de Washington. A declaração foi feita a jornalistas na Casa Branca.

Trump expressou o desejo de alcançar um entendimento com o governo iraniano, mas ressaltou que os termos apresentados não eram aceitáveis para os Estados Unidos. A proposta iraniana também previa a retomada das negociações sobre o programa nuclear do país. “Eles querem fechar um acordo e acho isso ótimo”, disse Trump. “Eu também gostaria de fechar um acordo. Mas esse acordo não seria aceitável.” O presidente americano sugeriu que o Irã buscava a negociação por estar em uma situação desfavorável.

Condições Iranianas

As condições estabelecidas por Teerã para a reabertura do Estreito de Ormuz e a retomada das negociações nucleares em sete dias incluíam a suspensão do bloqueio naval aos portos iranianos, a retirada das sanções sobre as vendas de petróleo do Irã e o respeito a um cessar-fogo que abrangeria também o Líbano. Esta iniciativa foi apresentada como um caminho rápido para reduzir as hostilidades.

O então ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, havia detalhado as sete condições no dia anterior. Entre elas, estavam uma cessação de sete dias das hostilidades no Oriente Médio, incluindo o Líbano, o desbloqueio de ativos iranianos congelados no exterior – estimados em pelo menos US$ 12 bilhões –, o levantamento das sanções sobre o petróleo e o fim do bloqueio naval americano. Araghchi afirmou que a implementação das primeiras medidas ocorreria nos dias seguintes à eventual aceitação americana, com a reabertura do estreito ao final do período, seguida pela retomada das negociações nucleares. A decisão, segundo ele, estava nas mãos de Washington.

Importância Estratégica de Ormuz

O Estreito de Ormuz tornou-se um ponto crucial no conflito entre Estados Unidos e Irã. O tráfego marítimo na passagem havia diminuído significativamente após ataques e ameaças mútuas contra embarcações. A rota, que liga o Irã a Omã, é vital para o comércio global de energia. Antes do conflito, aproximadamente um quinto do petróleo e gás comercializados mundialmente passava pelo estreito, o que elevou a importância de sua reabertura nas negociações.

O então presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, também defendeu uma solução negociada. Teerã afirmou estar disposta a discutir seu programa nuclear, mas enfatizou que não aceitaria negociações sob ameaças ou coerção.