Dados do Banco Central mostram que o número de transações via Pix já estava em declínio antes da publicação da medida provisória que proibiu as apostas de quota fixa, em 25 de setembro. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) utiliza essa constatação para argumentar contra a associação direta entre a proibição e a queda de 10% nas operações do sistema nos dias seguintes à mudança regulatória.

De acordo com uma análise da ANJL, baseada em informações do Sistema de Pagamentos Instantâneos (SPI), entre 22 e 24 de setembro, ou seja, antes da MP, a quantidade de transações por Pix já estava entre 7% e 12% abaixo da referência. Nesse mesmo período, o volume financeiro movimentado teria apresentado uma redução entre 14% e 27%. O Banco Central registrou 608,6 milhões de transações Pix entre 26 e 28 de setembro, um volume 10% menor em comparação com a média dos mesmos dias nas quatro semanas anteriores.

Metodologia da comparação

A ANJL questiona a metodologia da comparação, afirmando que a variação do Pix deve considerar o comportamento dos pagamentos ao longo do mês. Fatores como o fim do mês podem influenciar a quantidade e o volume das transferências. A associação sugere uma comparação entre períodos equivalentes: o quarto sábado de agosto e os dois dias seguintes, versus o quarto sábado de setembro e seus respectivos domingo e segunda-feira.

Com essa metodologia, a ANJL calcula que o número de transações caiu de 627,6 milhões para 608,6 milhões, uma redução de 3%. No entanto, o valor financeiro movimentado teria aumentado 3,7%, de R$ 177,1 bilhões para R$ 183,7 bilhões. O presidente da ANJL, Plínio Lemos Jorge, ressaltou que houve menos transações, mas mais dinheiro circulando no sistema, com o volume financeiro crescendo 3,7% enquanto a quantidade de operações recuou 3,0%.

Interpretação dos dados

As diferenças nos percentuais resultam das referências escolhidas para comparação. A análise do Banco Central confronta os dias posteriores à MP com a média dos dias equivalentes nas quatro semanas anteriores, indicando uma redução de 10%. A metodologia da ANJL, ao comparar períodos específicos de agosto e setembro, aponta uma retração de 3% nas operações e um crescimento de 3,7% no valor movimentado.

Plínio Lemos Jorge observou que o indicador de 10% do Banco Central toma como referência a média das quatro semanas imediatamente anteriores à proibição, sem neutralizar completamente as diferenças de comportamento do Pix entre as semanas. Ele reiterou que a queda nas operações ocorreu após a MP, mas a proximidade temporal não é suficiente para demonstrar que a mudança regulatória foi a única causa da redução. Para a ANJL, a retração já observada antes da medida reforça a necessidade de cautela na interpretação dos dados, e que quando comparados períodos equivalentes do calendário, a variação é menor e o volume financeiro movimentado aumenta.