O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) reconheceu nesta terça-feira (22) a tiquira produzida no Maranhão como Indicação Geográfica, garantindo proteção ao nome da bebida tradicional feita de mandioca.
Com a decisão, a tiquira se tornou a 170ª Indicação Geográfica do Brasil, que agora soma 136 Indicações de Procedência e 34 Denominações de Origem.
bebida tradicional do maranhão
De origem indígena, a tiquira é apontada como o único destilado de mandioca com produção contínua e expressiva no país. A fabricação é associada principalmente à zona rural do Maranhão, com destaque para a comunidade de Guaribas, em Urbano Santos, além de Barreirinhas, Santo Amaro do Maranhão, Santana do Maranhão e Santa Quitéria do Maranhão.
O reconhecimento pelo INPI protege legalmente o nome geográfico ligado à bebida. Na prática, produtores da área delimitada e que cumprirem as exigências definidas passam a ter um instrumento para diferenciar o produto e evitar imitações e uso indevido da denominação.
produção e impacto econômico
O nome tiquira vem do tupi “tykir”, expressão ligada à ideia de “cair gota a gota”, em referência ao processo de destilação. A produção começa com a mandioca, que é transformada em beijus, passa pela fermentação alcoólica e depois pela destilação.
Além da proteção, a Indicação Geográfica pode ajudar a valorizar a bebida no mercado. Segundo Hulda Giesbrecht, coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae Nacional, o selo pode impulsionar o turismo gastronômico e facilitar o acesso a mercados no Brasil e no exterior.
Nos últimos anos, produtores, gestores locais, o Sebrae no Maranhão e a Cooperativa de Produtores de Tiquira e Agricultores Familiares de Guaribas de Urbano Santos (COOPTAF) avançaram na organização da cadeia produtiva, com adequações sanitárias, padronização e implantação de agroindústrias regulamentadas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
O processo também incluiu o mapeamento do território e a elaboração de um Caderno de Especificações Técnicas. Para os produtores maranhenses, a IG reforça a proteção jurídica e a diferenciação comercial de uma bebida ligada à agricultura familiar, ao conhecimento indígena e a uma tradição secular.






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