A taxa de sindicalização no Brasil permaneceu estável em 8,8% em 2025, englobando 9,1 milhões de trabalhadores associados, conforme dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse número se assemelha aos 8,9% de 2024, indicando uma interrupção na sequência de declínios que se arrastava desde 2014, após um acréscimo de 812 mil novos membros no ano anterior. A estabilidade foi observada em todas as categorias de emprego e setores de atividade, abrangendo tanto o setor público quanto o privado.

Declínio acentuado em setores específicos

Apesar da recente estabilização, a análise comparativa com o ano de 2012 revela um encolhimento significativo da cobertura sindical em grande parte das atividades econômicas. As maiores perdas acumuladas foram verificadas no setor de Transporte, armazenagem e correio, que sofreu uma redução de 12,4 pontos percentuais. Outros setores com retração notável incluem a Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (queda de 9,9 pontos percentuais); a Indústria geral (redução de 9,9 pontos percentuais); e o grupamento de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (diminuição de 9,6 pontos percentuais).

Em 2025, a maior taxa de sindicalização foi registrada na Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, com 14,7% dos trabalhadores associados. Em seguida, aparecem a Administração pública, educação e saúde (14,6%) e a Indústria geral (11,4%). Na outra ponta, as menores coberturas sindicais foram observadas nos Serviços domésticos (2,5%), na Construção (3,6%) e no grupo de Outros serviços (3,6%).

Fatores determinantes para a sindicalização

A posição no emprego e o vínculo formal se mostram cruciais para a adesão sindical. Os empregados do setor público, incluindo servidores estatutários e militares, apresentaram a maior taxa de sindicalização em 2025, com 18,4%. Entre os empregados do setor privado com carteira de trabalho assinada, o índice foi de 11,3%, enquanto os trabalhadores familiares auxiliares registraram 10,2%. Em contrapartida, as categorias marcadas pela informalidade exibiram as menores taxas de cobertura sindical: apenas 3,3% dos empregados do setor privado sem carteira assinada e 2,8% dos trabalhadores domésticos eram associados a sindicatos em 2025.

A escolaridade também exerce influência direta na taxa de associação. Em 2025, a menor taxa de sindicalização foi entre os ocupados com ensino fundamental completo e médio incompleto (5,6%). Já a maior taxa foi entre os trabalhadores com ensino superior completo, atingindo 13,5%. Dos 9,1 milhões de trabalhadores sindicalizados no Brasil em 2025, 38,2% possuíam ensino superior completo.

Regionalmente, as taxas de sindicalização em 2025 foram as seguintes: Sul com 9,7%, Nordeste com 9,2%, Sudeste com 8,8%, Centro-Oeste com 8,0% e Norte com 7,0%. Quanto ao gênero, a taxa nacional masculina ficou em 8,9% e a feminina em 8,7%, sendo o Nordeste a única região onde a proporção de mulheres sindicalizadas (9,6%) superou a de homens (8,9%).