A candidata ao Senado por São Paulo, Simone Tebet (PSB), manifestou-se contra as ofensas proferidas pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nas redes sociais, utilizando os termos “covarde” e lembrando as condenações judiciais que ele recebeu. O embate teve início após Eduardo Bolsonaro se referir a Tebet como “vassala do Lula” e insinuar que ela “se prostitui” por cargos políticos.
Tebet declarou que não é a primeira vez que sofre violência política de gênero e lamentou o nível do ataque, ressaltando que não se surpreende vindo de alguém que já foi condenado pela Justiça. Ela se referiu a Eduardo Bolsonaro como um “contumaz condenado pelo Supremo Tribunal Federal” e o classificou como um covarde que ataca à distância, protegido por um “exército digital” que propaga discurso de ódio. A candidata afirmou que não recuará diante das agressões e não permitirá que mulheres sejam silenciadas dessa forma.
Repercussão e Decisão Judicial
A ofensiva de Eduardo Bolsonaro ocorreu após Tebet criticar a desistência de Ricardo Salles (Novo) da disputa pelo Senado em São Paulo, o que, segundo ela, representava uma “rendição ao centrão”. A campanha de Tebet classificou a insinuação sexual como uma “abjeta forma de violência política contra a mulher” e anunciou que acionaria o Ministério Público Eleitoral para investigar possível violência política de gênero.
Tebet argumentou que esse tipo de ataque não é apenas uma agressão individual, mas também contribui para afastar mulheres da vida pública, conectando a normalização da violência verbal a formas mais graves de violência. A candidata levou o caso à Justiça Eleitoral, e o juiz Ronnie Herbert Barros Soares, do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), determinou a remoção da publicação em até 24 horas, sob pena de multa diária. O magistrado considerou que a manifestação ultrapassava os limites da crítica política e depreciava Tebet em sua condição de mulher.
Solidariedade e Condenação
Este incidente surge poucos dias depois de Eduardo Bolsonaro ter sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal a um ano de detenção por difamação contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), em um processo relacionado a uma publicação de 2021. O ataque a Tebet gerou manifestações de solidariedade de diversas lideranças políticas.
Marina Silva e Tabata Amaral condenaram o uso de insinuações sexuais contra mulheres em posições de poder. Tabata Amaral, inclusive, destacou a condenação recente de Eduardo Bolsonaro em seu próprio processo. O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu Tebet, descrevendo-a como uma “mulher honrada”, enquanto Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, classificou os ataques como incompatíveis com o ambiente democrático. O caso reacendeu o debate sobre violência política de gênero e os limites da disputa eleitoral na campanha paulista.






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