A Serrinha do Paranoá, localizada no Distrito Federal, encontra-se em um momento decisivo, com a expectativa da criação de um parque na Gleba A, promessa assumida pela governadora. Esta iniciativa é considerada fundamental para a proteção ambiental e hídrica da capital, em um cenário de emergência climática. A área pode se tornar um importante ponto de conservação ou ser alvo de maior expansão imobiliária, em detrimento de suas características ecológicas.
Importância estratégica e riscos ambientais
A Serrinha é reconhecida como uma área estratégica para a recarga de aquíferos, funcionando como um “território esponja” que permite a infiltração da água da chuva, abastecendo as reservas subterrâneas e mantendo nascentes e córregos durante os períodos de estiagem. A urbanização dessa região comprometeria esse mecanismo natural, reduzindo a infiltração, aumentando o escoamento superficial e intensificando processos erosivos. O Zoneamento Ecológico-Econômico do DF já aponta riscos elevados como perda do Cerrado, erosão e contaminação das águas subterrâneas. O novo Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) também classifica a Serrinha como Área Prioritária para Promoção da Resiliência Hídrica.
A preocupação se intensifica devido à localização da Serrinha na área de influência do Lago Paranoá, vital para o abastecimento do Distrito Federal, especialmente após a crise hídrica de 2016-2018. A destruição ambiental da região, embora não contabilizada em empreendimentos imobiliários, acarreta custos sociais elevados, como enchentes, escassez de água, perda de biodiversidade e aumento da vulnerabilidade climática.
Um estudo do IPAM estima que uma eventual urbanização na área poderia gerar emissões de aproximadamente 104,5 mil toneladas de CO₂, frente a um estoque atual de cerca de 28,5 mil toneladas, resultando em um passivo climático de aproximadamente R$ 2,5 bilhões. Esses dados ressaltam a necessidade de considerar os impactos ambientais na discussão sobre o futuro do Cerrado na Serrinha.
Justiça socioambiental e oportunidade de legado
A criação do parque também é vista como uma questão de justiça socioambiental, permitindo que a população do entorno tenha acesso a lazer, esporte, educação ambiental e contato com o Cerrado. Existe uma oportunidade para o Governo do Distrito Federal de criar uma Unidade de Conservação de Proteção Integral, que abrangeria a Gleba A e conectaria remanescentes do Cerrado, formando um corredor ecológico e fortalecendo a adaptação de Brasília às mudanças climáticas. Essa proposta alinha-se com a construção do Mosaico Candango, que busca conectar diversas unidades de conservação.
Diversas instituições e entidades ambientais já manifestaram apoio à preservação da Serrinha, e um manifesto pela criação de um Parque Nacional já coletou centenas de assinaturas. A comunidade local e a sociedade em geral aguardam a concretização da promessa da governadora, que tem a chance de transformar essa iniciativa em um legado para o futuro de Brasília. O desafio é interromper qualquer ação que ameace a área e avançar, com transparência e participação social, na criação efetiva da Unidade de Conservação, protegendo a água, o Cerrado e o clima para as futuras gerações.






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