Se você estava esperando uma semana tranquila, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Entre segunda e sexta, o noticiário entregou de tudo: marketing político com cara de ditadura fascista, dólar subindo no susto, papa no hospital e — spoiler — um debate que já nasceu furado. Vamos por partes, que é como se come um elefante (ou como se entende uma semana brasileira).
Quando a propaganda política vira aula de história (da pior)
A semana começou com o PL postando uma imagem de Flávio Bolsonaro que parecia saída de um álbum de figurinhas do fascismo europeu. Preto e branco, rosto do candidato cercado pela frase "Tropa do Flávio" repetida várias vezes — igualzinha a uma propaganda de Benito Mussolini de 1934, aquela em que o ditador italiano aparecia rodeado de "SÌ". Coincidência? Sei. O problema é que o fascismo não é exatamente uma referência de manual de boa comunicação — a não ser que o manual seja de como destruir uma democracia, censurar a imprensa e perseguir quem pensa diferente.
Flávio e o partido não comentaram a semelhança (ou fingiram que não viram). Mas a internet viu. E a história também. Mussolini governou a Itália de 1922 a 1943, construiu uma ditadura, se aliou a Hitler e aprovou leis raciais antissemitas. Não é o tipo de companhia que você quer numa biografia eleitoral. Mas parece que, no calor da campanha, ninguém ali parou pra checar o Pinterest.
Dólar sobe, Bolsa cai e o mercado treme com pesquisa
Enquanto isso, o mercado financeiro teve um dia de nervosismo na terça-feira (13). O dólar subiu 0,71%, a Bolsa caiu mais de 1%, e o motivo foi uma pesquisa BTG/Nexus que colocou Flávio Bolsonaro com 52% dos votos válidos contra 48% de Lula. Tecnicamente, é empate — a margem de erro é de dois pontos. Mas o mercado não gosta de empate: gosta de previsibilidade.
Analistas explicaram que a queda da Bolsa também veio de realização de lucros (traduzindo: o pessoal ganhou dinheiro na semana passada e agora está sacando antes que vire pó) e da expectativa por novas pesquisas. Tem gente apostando que a votação da PEC do fim da escala 6x1, marcada para a última quarta-feira, pode mexer com os ânimos. E pode mesmo: menos hora trabalhada significa mais custo para empresa, e isso deixa o mercado de cabelo em pé. Já o trabalhador, bom, esse tá achando ótimo.
O debate que virou vitrine vazia
Falando em segundo turno, a Band organizou um debate para domingo (18) com direito a 30 minutos de confronto direto entre Lula e Flávio. Seria o primeiro embate cara a cara da campanha. Seria. Porque Flávio Bolsonaro avisou que não vai. Ele disse que ainda está avaliando se participa do debate da Globo, mas que a "equipe técnica" é quem manda. Tradução: tá com medo.
Não aparecer em debate virou estratégia de campanha — e não é de hoje. O problema é que o eleitor fica sem ver os dois candidatos frente a frente, trocando ideias (ou farpas, que seja). Democracia também é isso: confronto de ideias, não só de outdoors e posts no Instagram.
Papa no hospital, crime hediondo no Rio e o brasil que não para
Enquanto isso, o papa Leão XIV foi internado em Roma para retirar um nódulo pulmonar. Aos 71 anos, ele cancelou a agenda até o dia 20, mas continua no comando da Igreja — mesmo sob anestesia, o poder não passa pra ninguém. É curioso: o Vaticano tem regras claras pra morte e renúncia do papa, mas nada sobre doença temporária. A vida segue, mas com o cardeal Pietro Parolin segurando a bronca administrativa.
E no Rio de Janeiro, uma notícia que dá ânsia: um funcionário público de 68 anos foi preso por liderar uma rede de exploração sexual de crianças e adolescentes, incluindo bebês de cinco meses. O homem trabalhava como cozinheiro em uma escola pública. Duas mulheres também foram presas. É o tipo de crime que não dá pra comentar sem sentir um nó no estômago. A polícia segue investigando, e a gente torce para que todos os envolvidos sejam punidos com o rigor que a lei permite — e que as vítimas tenham o apoio que merecem.
A semana teve de tudo: propaganda fascista, mercado assustado, debate fantasma e até papa no bisturi. O Brasil segue intenso, imprevisível e, convenhamos, nunca monótono. Agora é esperar pra ver se Flávio muda de ideia e aparece no debate da Globo — ou se a campanha vai seguir no modo "esconde-esconde". Apostas?
A coluna Viu Isso, Né? sai todo domingo na seção Geral do Você Viu Isso?. É opinião: os fatos estão nas matérias citadas.







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