A política externa da China é o foco de um livro que investiga como o país asiático se tornou um motor fundamental para a construção de uma nova ordem internacional multilateral. A obra aborda as profundas mudanças globais em curso, a evolução da diplomacia chinesa e os alicerces históricos e teóricos que sustentam sua atuação no cenário mundial.
Historicamente, a China adotava uma postura de "esconder nossas capacidades e aguardar o momento oportuno", caracterizada pela discrição. Contudo, essa abordagem foi substituída por uma estratégia mais assertiva e proativa, visando promover os interesses do Sul Global, a paz e a segurança coletiva, além de fomentar uma ordem mundial mais justa. Este desenvolvimento é analisado por um grupo de nove intelectuais no livro, que exploram as diversas facetas da diplomacia chinesa.
Das Origens aos Desafios Atuais
As ilustrações na capa do livro oferecem um vislumbre do conteúdo, conectando a Conferência de Bandung de 1955 – evento em que 29 nações do então Terceiro Mundo expressaram o desejo por um sistema global mais justo e onde a China propôs os Cinco Princípios da Coexistência Pacífica – com a comemoração, em 2025, do 80º aniversário da vitória chinesa na guerra contra a agressão japonesa. A conferência de 1955 contou com a presença de líderes do Sul Global, e a declaração final da Cúpula da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX), que precedeu as comemorações de 2025, reafirmou o compromisso com uma ordem mundial mais representativa e multipolar.
O período de 70 anos entre os dois eventos reflete a notável consistência da China em relação aos princípios que guiam sua política externa. Através de organismos multilaterais e iniciativas como a OCX, o BRICS e a Iniciativa Cinturão e Rota (BRI), a China, desenvolvida industrial e tecnologicamente, contribui significativamente para o desenvolvimento do Sul Global. Um capítulo específico do livro detalha a trajetória da política externa chinesa de 1949 a 2025, sugerindo que o papel do país oferece esperança para um futuro global mais estável, próspero e sustentável.
Rejeitando a Caracterização Imperialista
A publicação ressalta a complexidade da política externa chinesa, especialmente em um contexto de multipolaridade. Aborda-se a questão da unipolaridade defendida pelos Estados Unidos após a dissolução da URSS e a tentativa de impedir o surgimento de novos competidores globais. O livro confronta a visão de que a rivalidade entre China e Estados Unidos seja uma competição entre grandes potências, ou uma luta interimperialista, e também as alegações, de alguns setores da esquerda ocidental, de que a China estaria se tornando uma potência imperialista.
Um dos capítulos argumenta que a China se tornou uma importante exportadora de capital e fonte alternativa de financiamento para muitos países, especialmente no Sul Global, por meio de investimentos em infraestrutura. Isso, segundo a análise, fortalece a autonomia política desses países em relação ao imperialismo, no contexto da multipolaridade emergente. A China defende a observância do direito internacional, a igualdade entre os Estados, a não interferência em assuntos internos, o desenvolvimento econômico mútuo, a cooperação global para desafios como o clima e a saúde, e a resolução pacífica de conflitos, posturas opostas às defendidas por algumas nações ocidentais.






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