Nova York — A defesa da soberania brasileira feita por Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), foi apontada pelo professor de Relações Internacionais Reginaldo Nasser como um princípio que orienta a política externa do presidente.
Antes do discurso em Nova York, Nasser já avaliava que Lula levaria à tribuna mensagens sobre autonomia nacional, multilateralismo e rejeição a interferências estrangeiras. Horas depois, o presidente colocou esses temas no centro de sua fala na abertura do Debate Geral da 81ª Assembleia Geral.
soberania e rejeição a interferências
Na ONU, Lula afirmou que “o Brasil não cabe no quintal de ninguém” e criticou a retomada de disputas por zonas de influência, além de interferências estrangeiras em processos eleitorais. O presidente defendeu que os países latino-americanos decidam seus próprios rumos políticos.
Para Nasser, essa posição não representa apenas uma resposta às tensões com os Estados Unidos. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, ele disse que Lula deveria insistir na soberania, no multilateralismo e na crítica a ações militares, sem transformar as divergências com Donald Trump em confronto direto com Washington.
sem confronto com washington
O professor também destacou que, na visão de Lula, a soberania vale nos dois sentidos: o Brasil não quer interferir nos rumos de outros países e também não aceita que governos estrangeiros determinem seus caminhos internos. Ele resumiu essa leitura ao dizer que Trump “não deve interferir aqui” e que isso “fere princípio internacional, mas sem confronto”.
Nasser afirmou ainda que o Brasil precisa defender seus interesses e manter canais diplomáticos com os Estados Unidos. Segundo ele, há diferença entre confronto e independência, e a fala de Lula na ONU seguiu essa lógica ao tratar a autonomia como base para relações internacionais guiadas pelos interesses brasileiros.
O professor relacionou essa posição ao cenário internacional marcado por disputas entre grandes potências, pelo fortalecimento do Sul Global e pelos limites do Conselho de Segurança da ONU. Para Nasser, a defesa da soberania apresentada por Lula se insere em uma linha mais ampla de política externa, presente desde os primeiros governos do presidente.






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