A Rede Globo cancelou o debate entre candidatos à presidência, previsto para a noite de quinta-feira, alegando “insegurança jurídica”. A decisão da emissora foi duramente criticada por diversas fontes, que a classificaram como hipócrita, argumentando que a Globo se rebelou contra determinações liminares de ministros de tribunais superiores.
Segundo os críticos, a emissora aceitou uma primeira ordem do ministro Nunes Marques, que permitiu a participação de Romeu Zema. No entanto, a Globo se opôs publicamente a duas outras decisões judiciais: uma que proibia a transformação da ausência do ex-presidente Lula em espetáculo e outra que impedia a participação de Renan Santos, considerado inimigo de Flávio Bolsonaro. O cancelamento do debate teria sido uma forma de escapar dessas duas últimas ordens.
Histórico de debates e eleições
A alegação da Globo sobre sua “longa tradição” na promoção de debates também foi contestada. Em 1989, a emissora foi acusada de manipular a edição do debate do segundo turno para favorecer Fernando Collor contra o ex-presidente Lula. Nos anos de 1994 e 1998, a Globo não promoveu debates, o que teria blindado o então candidato Fernando Henrique Cardoso do confronto com Lula e outros adversários.
Em 2018, a emissora também não permitiu o confronto entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro no segundo turno, sob o pretexto de que este não poderia comparecer ao estúdio. No entanto, Bolsonaro concedia entrevistas diárias ao vivo a outros veículos. Os críticos argumentam que os debates da Globo, assim como os de outros veículos, deixaram de servir à discussão de ideias e à promoção da democracia, tornando-se palco para ofensas e ataques.
O papel da Globo nas eleições
Para os críticos, esses eventos servem mais aos interesses comerciais dos promotores do que ao jornalismo e ao verdadeiro debate político. No caso específico da Globo, o objetivo principal seria o de protagonizar o processo eleitoral e político do país. Essa pretensão da emissora, que seria inquestionável ao longo de sua história, teria sido contestada pelas ordens judiciais às quais a Globo se recusou a obedecer.
O cancelamento do debate, segundo essa visão, abalou a pretensão da Globo de controlar o processo. Embora a emissora continue poderosa, mesmo que não como antes, a situação atual a teria forçado a “fugir do debate e da Justiça”, diante de novas realidades que se impõem no processo político e nos meios de informação da sociedade brasileira.






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