A primeira prova de Endurance da Stock Car, realizada em Brasília em setembro de 2026, demonstrou que a velocidade não é o único fator determinante. Durante duas horas, no Autódromo Internacional Nelson Piquet, 60 pilotos distribuídos em 30 duplas competiram, onde a gestão de combustível, pneus, freios e motor foi crucial. A equipe RC, com Lucas Di Grassi e Sérgio Sette Câmara, conquistou a vitória após 52 voltas, com o tempo de 2h03min25s835, superando a dupla Guilherme Salas e Arthur Gama por apenas 1s574.

Lucas Di Grassi enfatizou que a vitória não dependeu de manter o carro no limite o tempo todo, mas sim de entender os momentos ideais para exigir do equipamento. Ele explicou que os carros da Stock Car são projetados para corridas mais curtas, tornando a prova de Endurance um desafio adicional. A estratégia envolveu saber quando preservar componentes e quando acelerar. Sette Câmara complementou que o maior desafio foi garantir que o carro chegasse ao final sem comprometer o ritmo, apesar da necessidade de poupar o veículo.

Gerenciamento e sincronia nos boxes e na pista

A estratégia da dupla vencedora incluiu o uso criterioso dos 15 pushes disponíveis, acionando-os apenas para realizar ultrapassagens decisivas, como relatou Di Grassi. A sintonia entre os pilotos foi fundamental para o sucesso. Para Sette Câmara, a vitória em Brasília teve um significado especial, especialmente após um revés em Curvelo.

Para as equipes nos boxes, a Endurance trouxe uma dinâmica de trabalho diferente. Ricardo Fávaro, chefe de equipe da M-Force, destacou a necessidade de uma estrutura mais robusta e coordenada para lidar com pit stops, troca de pilotos, reabastecimento e substituição de pneus. Cerca de 12 profissionais trabalharam na operação dos carros da M-Force, com preparativos que começaram na oficina dias antes da prova, incluindo a instalação de um radiador de óleo do diferencial e o reposicionamento da bomba da direção hidráulica para suportar o período prolongado de funcionamento. A rotina intensa de trabalho no autódromo, que podia se estender por mais de 16 horas, foi recompensada com resultados positivos, como os três pódios na Turismo Nacional, apesar do cansaço.

Brasília como palco para provas de resistência

A escolha do Autódromo Internacional Nelson Piquet para sediar a primeira Endurance da Stock Car não foi aleatória. Lincoln Oliveira, CEO da Vicar, apontou a extensão da pista (aproximadamente 5,3 quilômetros), a segurança, a localização central do Distrito Federal e a excelente rede hoteleira como fatores decisivos. Di Grassi descreveu o circuito como técnico e veloz, com um traçado que favorece a disputa, embora pontue a necessidade de melhorias na infraestrutura.

Fávaro corroborou a complexidade do circuito, destacando a variedade de curvas e a exigência de um acerto que funcionasse em toda a extensão da pista. A relação de Brasília com o automobilismo também foi um ponto relevante, sendo considerada um "celeiro" de talentos no esporte. A realização da prova reforçou o papel de Brasília no automobilismo nacional, mostrando a capacidade das equipes em lidar com desafios de resistência e estratégia, e evidenciou a necessidade de expandir a infraestrutura de hospitalidade no autódromo para futuros eventos de grande porte.