A pecuária brasileira registrou avanços significativos em produtividade no ano de 2025, resultando em recordes de produção em diversos segmentos, mesmo com a redução do número de animais em algumas categorias. Segundo a Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) de 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o valor total da produção pecuária atingiu a marca inédita de R$ 141,2 bilhões, representando um aumento de 6,2% em relação ao ano anterior. O leite, os ovos de galinha e o mel foram os principais impulsionadores desse crescimento em valor.

Mais leite com menos vacas

Um dos destaques da pesquisa foi a produção de leite, que alcançou o volume recorde de 36,7 bilhões de litros em 2025. Esse feito ocorreu em um cenário de diminuição do número de vacas ordenhadas, o que resultou em um aumento médio de produtividade de 5,6% no período. Essa mudança aponta para uma transformação na pecuária leiteira do país, onde a expansão da produção está cada vez mais ligada à eficiência por animal, reduzindo a necessidade de ampliar o rebanho. Tal ganho de produtividade pode gerar benefícios econômicos e ambientais, promovendo um uso mais eficiente de recursos como terra e alimentação.

Em contrapartida, o rebanho bovino brasileiro encolheu pelo segundo ano consecutivo, registrando uma queda de 1,7% em 2025 e totalizando 234,3 milhões de cabeças. A redução é atribuída ao aumento dos abates, incluindo o de fêmeas. Apesar dessa diminuição, o Brasil mantém um dos maiores rebanhos comerciais globais e sua posição como potência na produção e exportação de carne bovina.

A avicultura também apresentou resultados positivos, com o efetivo de galináceos crescendo 1,6% e a produção de ovos atingindo um novo recorde de 5,7 bilhões de dúzias. O valor dessa produção alcançou R$ 36,4 bilhões. Essa performance reforça a importância crescente dos ovos na alimentação e na economia agrícola do Brasil, oferecendo uma fonte de proteína acessível em um contexto de flutuações de preços de outras proteínas animais.

Outros recordes e diversificação

Além disso, outros rebanhos alcançaram marcos históricos. O Brasil encerrou 2025 com 13,5 milhões de caprinos e 22,3 milhões de ovinos, ambos em níveis recordes. A criação desses animais é particularmente relevante no Nordeste, onde se adaptam bem às condições do semiárido e representam uma importante fonte de renda. O rebanho suíno, por sua vez, permaneceu estável, com aproximadamente 44 milhões de animais.

A apicultura manteve sua trajetória de sucesso, com a produção brasileira de mel alcançando 71,3 mil toneladas, um aumento de 4,5% em relação ao ano anterior e um novo recorde. As regiões Sul e Nordeste se destacam nessa atividade, que não só tem valor econômico, mas também contribui para a polinização e a preservação de ecossistemas.

A aquicultura também demonstrou vigor, com a produção de camarão crescendo 18,2%, a piscicultura avançando 7,1%, e a produção de ostras, vieiras e mexilhões aumentando 3,3%. Esses dados evidenciam a diversificação da produção de proteína animal no país, com a aquicultura expandindo sua participação no agronegócio brasileiro.

Em suma, os resultados da Pesquisa da Pecuária Municipal de 2025 indicam uma pecuária brasileira cada vez mais diversificada e focada na eficiência. O crescimento do setor não se baseia apenas na expansão quantitativa dos rebanhos, mas também na melhoria da produtividade, impulsionada por avanços em genética, alimentação, manejo, sanidade e tecnologia. A capacidade de produzir mais leite com menos vacas é um exemplo claro dessa transformação.