O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, declarou que a revogação de seu visto para os Estados Unidos, anunciada na última segunda-feira (28), estaria ligada às investigações que envolvem o ex-assessor presidencial argentino Fernando Cerimedo e ao caso conhecido como “Gasolina do Lixo”. Em pronunciamento feito em Sucre, sede do Ministério Público boliviano, Mariaca rejeitou a medida e afirmou que as apurações seguirão adiante.

Mariaca manifestou surpresa com a decisão de Washington, pedindo respeito à soberania da Bolívia e ao princípio da não interferência. Ele salientou que o trabalho da Procuradoria gera desconforto em setores políticos tanto nacionais quanto internacionais. A investigação relacionada a Cerimedo apura acusações de tentativa de feminicídio e lavagem de dinheiro, e o procurador-geral assegurou que não haverá recuo nesse processo.

Veto dos EUA e Repercussões Políticas

O procurador-geral boliviano recordou atritos anteriores entre os dois países, mencionando a suspensão do visto do ex-presidente Jaime Paz Zamora e a expulsão de um embaixador norte-americano durante o governo de Evo Morales. A restrição imposta pelos Estados Unidos afeta um total de 13 autoridades e ex-autoridades bolivianas, além de um empresário, que são acusados pelo governo do presidente Donald Trump de corrupção e de agir contra governos democraticamente eleitos. Familiares diretos das pessoas afetadas também estão sujeitos à proibição de entrada no país.

No âmbito do Congresso boliviano, o presidente do Senado, Diego Ávila, e o presidente da Câmara dos Deputados, Roberto Castro, anunciaram que buscarão informações oficiais junto ao Ministério das Relações Exteriores, por meio dos canais diplomáticos, para esclarecer as acusações. Ávila destacou que “uma denúncia não é uma sentença e nenhum cidadão pode ser condenado sem provas”, e solicitou a convocação urgente de uma sessão parlamentar para discutir o assunto, sugerindo que Mariaca se afaste temporariamente do cargo enquanto as acusações são elucidadas.

Base Legal da Restrição

Castro, por sua vez, garantiu que as informações recebidas de Washington serão encaminhadas às instâncias competentes para avaliação de possíveis medidas legais e parlamentares. A restrição de entrada, segundo comunicado norte-americano, baseia-se em dispositivos da legislação de imigração e de dotações para segurança nacional dos Estados Unidos. Washington argumenta que as ações das pessoas atingidas prejudicariam o combate ao narcoterrorismo e o fortalecimento das instituições democráticas bolivianas.