A decisão dos Estados Unidos de impor restrições de entrada ao procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, gerou atrito entre Washington e as autoridades bolivianas. Mariaca rejeitou as alegações feitas pelo governo do presidente Donald Trump, classificando a medida como uma tentativa de interferência em investigações conduzidas pelo Ministério Público boliviano.
Os EUA acusam Mariaca de envolvimento em “corrupção significativa” relacionada ao narcotráfico, alegando que ele teria abusado de sua posição para solicitar e receber propinas e auxiliar criminosos. O procurador, no entanto, contesta essas acusações, sugerindo que a medida pode estar ligada a investigações consideradas delicadas na Bolívia.
Controvérsia e Repercussões Internas
Um dos pontos centrais da controvérsia levantada por Mariaca envolve Fernando Cerimedo. Fontes em La Paz não descartam que as investigações do procurador relacionadas a Cerimedo possam estar por trás da pressão exercida sobre ele. Essa interpretação sugere que uma possível interrupção das apurações teria como objetivo evitar a divulgação de informações com potencial de impacto político para o governo do presidente boliviano Rodrigo Paz, aliado de Washington. A situação também ocorre em meio a questionamentos internos sobre membros da equipe do procurador-geral, com a imprensa boliviana noticiando possíveis vínculos de alguns deles com o ex-presidente Evo Morales.
No cenário político boliviano, a medida estadunidense provocou reações imediatas. Os presidentes das câmaras de Senadores e Deputados da Bolívia solicitaram o afastamento temporário de Mariaca enquanto as acusações são investigadas. Integrantes do governo boliviano, por sua vez, indicaram que buscarão informações diplomáticas de Washington sobre os fundamentos das acusações contra o procurador-geral. O Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, por meio de seu presidente Rómer Saucedo Gómez, adotou uma postura cautelosa, destacando a prerrogativa de cada país em definir sua política migratória e ressaltando que a nomeação do procurador-geral não é responsabilidade do Tribunal. Saucedo enfatizou que Mariaca deve apresentar sua defesa diante das acusações.
Ampliação das Medidas Americanas na América Latina
A iniciativa dos EUA se estende a outros países da América Latina. No Peru, o juiz Juan Carlos Núñez Matos, do Primeiro Juizado Constitucional de Lima, teve seu visto revogado, gerando reações diversas: enquanto setores críticos à transparência do Judiciário peruano apoiaram a medida, opositores do governo a classificaram como interferência de Washington. Na Colômbia, as sanções atingiram a senadora Martha Isabel Peralta e o empresário Euclides Torres. O Departamento de Estado americano vincula essas restrições a acusações de corrupção, narcotráfico ou ações que, na avaliação dos EUA, ameaçam instituições democráticas.
Em relação a Mariaca, o Departamento de Estado afirmou que a conduta atribuída a ele prejudicaria os esforços de combate ao “narcoterrorismo” e enfraqueceria as instituições bolivianas. Esta posição oficial de Washington é contestada pelo procurador, que defende que as sanções não podem ser desvinculadas das investigações que ele conduz. Simultaneamente, autoridades bolivianas buscam os elementos que fundamentaram as acusações por parte dos Estados Unidos.






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