247 – A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) investigam um possível vazamento de informações sobre a Operação Vectura Corrupta, que apura a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo paulistano e em estruturas do poder público. Segundo o G1, a Justiça expediu ordens de prisão temporária contra 16 investigados; as forças de segurança prenderam 11 deles, enquanto cinco continuavam foragidos na atualização mais recente. Outras reportagens também confirmam os 16 mandados e a investigação sobre a atuação da facção no setor.
A suspeita de vazamento ganhou força depois que investigadores procuraram alvos em diferentes endereços sem localizá-los. Entre os investigados que não apareceram durante as primeiras buscas estavam o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) e o empresário Paulo Sirqueira Korek Farias, conhecido como Camarão, presidente da A2 Transportes e do Água Santa. Milton se apresentou à polícia nesta sexta-feira (18), na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes.
A investigação também apura a alegação de que o PCC controlaria, direta ou indiretamente, ao menos 12 das 22 empresas responsáveis pelo transporte coletivo da capital paulista. Em uma das buscas realizadas nesta sexta em Sorocaba, os agentes apreenderam R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie, valor equivalente a cerca de R$ 458 mil na cotação citada pelas reportagens, em um imóvel ligado a um ex-assessor de Milton Leite. A polícia ainda investiga a origem do dinheiro.
Polícia vai apurar suspeita de vazamento
O delegado Fabrício Intelizano, de Mogi das Cruzes, afirmou durante entrevista coletiva na quinta-feira (17) que os investigadores analisarão a hipótese de alguém ter antecipado informações sobre a operação aos alvos.
“A gente vai apurar isso [vazamentos] no curso da investigação. Mas a gente não pode afirmar de maneira categórica. Tanto que a maioria dos alvos foi encontrado. Se tivesse ocorrido de fato qualquer tipo de situação assim, o resultado da operação teria sido outro. Mas isso a gente vai apurar ao longo da investigação e verificar se houve esse tipo de situação”, afirmou.
A avaliação parte, entre outros elementos, das tentativas de localizar investigados em endereços relacionados a eles. Policiais encontraram apenas funcionários em alguns locais durante o cumprimento das ordens judiciais.
A Operação Vectura Corrupta investiga relações entre integrantes do PCC, empresas do transporte coletivo e agentes ligados ao poder público de São Paulo. Polícia Civil e MP-SP cumprem 16 mandados de prisão e 18 ordens de busca e apreensão autorizados pela Justiça.
Entre os investigados que a polícia prendeu estão Milton Leite, Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e candidato a deputado estadual.
Milton permaneceu sem se apresentar às autoridades por mais de 24 horas depois do início da operação. Na quinta-feira, ele afirmou que cumpria compromissos políticos fora da cidade e negou qualquer envolvimento com o PCC. Nesta sexta, chegou à delegacia de Mogi das Cruzes acompanhado por um advogado.
Camarão segue entre os procurados
Os investigadores também fizeram buscas em diferentes endereços ligados a Paulo Sirqueira Korek Farias, o Camarão, mas não localizaram o empresário.
Camarão preside a A2 Transportes, empresa que atua no sistema de ônibus paulistano, e também comanda o Esporte Clube Água Santa. Ele permanecia entre os cinco investigados que ainda não tinham atendido às ordens de prisão.
A investigação procura esclarecer a participação dos diferentes alvos na estrutura que, segundo o Ministério Público, permitiu ao PCC ampliar sua presença no setor de transporte. A suspeita de controle de 12 empresas integra a linha de apuração e ainda depende da análise judicial das provas reunidas.
Buscas em Sorocaba encontram dinheiro e passagem entre imóveis
Antes de Milton Leite se apresentar, policiais e promotores fizeram buscas nesta sexta-feira em Sorocaba, no interior de São Paulo. As equipes procuravam o ex-vereador em uma residência ligada a um assessor dele.
Os agentes não encontraram Milton, mas localizaram dinheiro, documentos e uma ligação interna entre o imóvel e outra residência atribuída ao ex-parlamentar.
A polícia apreendeu R$ 280 mil e US$ 89 mil guardados em malas. A pessoa que estava no endereço não soube informar a procedência dos recursos, segundo a reportagem. Os investigadores agora tentam determinar a origem dos valores e eventual relação do dinheiro com Milton.
As autoridades também pretendem analisar imagens de câmeras de monitoramento para descobrir se o ex-vereador passou por alguma das residências antes das buscas.
Investigação cita Transwolff
O nome de Milton Leite aparece em diálogos e outros elementos reunidos durante a investigação. A apuração também registra depoimentos de policiais militares que apontaram o ex-vereador como “dono de fato” da Transwolff, empresa que já apareceu em outra investigação sobre o setor de ônibus, a Operação Fim da Linha, de 2024.
Milton nega ser proprietário da Transwolff e rejeita qualquer vínculo com o PCC. A empresa também nega participação societária ou atuação do político em sua administração. Reportagens sobre a Vectura Corrupta registram que o Ministério Público investiga a hipótese de a empresa ter servido a atividades relacionadas à facção, enquanto os citados contestam as acusações.
A Operação Vectura Corrupta prossegue com a busca pelos cinco investigados que permaneciam foragidos e com a análise do material recolhido nos endereços vistoriados. Polícia Civil e Ministério Público também deverão apurar se alguém teve acesso antecipado a informações sigilosas e avisou alvos antes do cumprimento das ordens judiciais.






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