A Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitou a solicitação da defesa da empresária Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, que visava suspender e remeter ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma apuração da Polícia Civil de São Paulo. A investigação em questão aborda possíveis irregularidades em um contrato de R$ 108 milhões destinado à instalação de pontos de Wi-Fi na capital paulista.
A defesa de Karina, recorrendo ao ministro André Mendonça, argumentou que a investigação paulista teria conexão com inquéritos do STF relacionados ao Banco Master. Contudo, a PGR, por meio de parecer assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, e outros procuradores em 24 de setembro, defendeu que as duas linhas de investigação tratam de fatos distintos, pedindo o indeferimento da solicitação.
Investigação autônoma em São Paulo
A Procuradoria-Geral da República sustentou que o cenário fático do inquérito estadual possui uma delimitação autônoma e genérica, carecendo de dados probatórios mínimos que demonstrem conexão ou interdependência com o complexo investigativo mais amplo da ‘Operação Compliance Zero’ (caso Master). Essa posição contraria o argumento central da defesa de Karina, que alegava que a Polícia Civil paulista havia avançado sobre fatos relacionados às investigações do caso Master, justificando a atuação do STF.
A PGR, no entanto, considerou que os elementos apresentados não são suficientes para comprovar essa conexão. Até o momento, o ministro André Mendonça não se pronunciou sobre o pedido da defesa, que foi apresentado em agosto com a intenção de suspender ou remeter a apuração estadual ao Supremo. Tanto Karina quanto a Prefeitura de São Paulo negam qualquer irregularidade.
Contrato de R$ 108 milhões sob suspeita
A investigação em São Paulo teve início devido a suspeitas envolvendo um contrato de R$ 108 milhões firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), fundado por Karina Ferreira da Gama. O acordo original previa a disponibilização de pontos de acesso à internet através do programa WiFi Livre SP. Instaurado em março pela 2ª Delegacia de Investigações sobre Crimes contra a Administração, o inquérito apura possíveis delitos relacionados à contratação pública e ao uso irregular de recursos.
Posteriormente, as investigações passaram a examinar a eventual destinação de recursos do programa para a produção de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Relatórios da Polícia Civil já apontaram “consistentes suspeitas” de que verbas do WiFi Livre SP foram desviadas para financiar o longa-metragem. O Instituto Conhecer Brasil e a produtora Go Up Entertainment, responsável por “Dark Horse”, são ambos ligados à atuação de Karina Ferreira da Gama.
Tentativa de levar o caso ao STF
Na petição enviada a André Mendonça, os advogados de Karina solicitaram, em caráter liminar, a suspensão imediata do inquérito da Polícia Civil e das medidas investigativas. A defesa buscava a avocação do processo, o que transferiria a investigação da primeira instância para o STF. Um dos argumentos apresentados era que a Polícia Civil teria avançado em uma eventual relação entre recursos públicos do WiFi Livre SP e o dinheiro utilizado na produção de “Dark Horse”, ligando essa linha investigativa às apurações do Banco Master no Supremo.
Essa alegação, no entanto, foi contestada pela PGR no parecer enviado ao ministro Mendonça. Documentos divulgados em setembro revelaram que investigadores estão examinando movimentações financeiras e subcontratações relacionadas ao programa. A Polícia Federal também identificou indícios de triangulação financeira de pelo menos R$ 6,1 milhões entre empresas e entidades ligadas a Karina. A Polícia Civil, por sua vez, continua investigando o possível desvio de recursos públicos do WiFi Livre SP para financiar o filme, já tendo realizado buscas em endereços relacionados ao ICB e à produtora.






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