247 – O empresário Diomar Tadeu Dantas de Farias, sócio minoritário da casa de apostas Pixbet, foi preso pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (17) na Paraíba. A prisão ocorreu durante o cumprimento da segunda fase da Operação Arena, que investiga a prática de crimes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro e infrações contra as ordens tributária e financeira ligados às atividades da empresa de apostas virtuais.

Além do mandado de prisão preventiva contra Dantas, as equipes da PF cumpriram cinco mandados de busca e apreensão e executaram ordens judiciais para o sequestro de bens. A ofensiva policial concentrou-se no estado da Paraíba, com ações nas cidades de Campina Grande — localizada a 128 quilômetros de João Pessoa — e na própria capital paraibana.

Diomar Dantas possui 30% do capital da Pixbet. Os outros 70% pertencem ao seu primo, Ernildo Júnior Farias Santos, que já havia sido alvo de mandados de busca e apreensão durante a primeira fase da mesma operação.

As investigações da Polícia Federal apontam para a existência de um esquema financeiro estruturado focado na aquisição de criptoativos e no cruzamento de remessas de valores entre empresas brasileiras e estrangeiras, com a finalidade de ocultar patrimônio e sonegar impostos. O grupo mantinha companhias abertas em pelo menos cinco países, incluindo uma entidade no paraíso fiscal de Curaçao. A partir dessa estrutura internacional saíam os pagamentos para advogados e cotas de patrocínio de grandes clubes do futebol brasileiro em 2024, como Corinthians e Flamengo.

Conforme apurado pelos investigadores, o mecanismo servia tanto para lavar o dinheiro proveniente das apostas quanto para financiar o processo de regularização formal da empresa no país. Na etapa anterior da operação, o Poder Judiciário já havia expedido 17 mandados de busca e apreensão distribuídos por estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, Paraíba e Paraná.

Dados fornecidos pela Receita Federal revelam que as empresas constituídas no exterior recebiam somas expressivas sem qualquer atividade econômica real que justificasse o fluxo financeiro. A gestão efetiva de tais companhias, contudo, era exercida dentro do território nacional, simulando transações para dar aparência de legalidade aos recursos oriundos dos jogos de apostas.

O percurso do dinheiro começava com as transferências efetuadas pelos apostadores para a Pixbet por meio de instituições financeiras convencionais. Em seguida, os montantes eram repassados para empresas de fachada e utilizados na compra de stablecoins — moedas digitais pareadas ao valor do dólar —, além de serem convertidos em papel-moeda americano em casas de câmbio para posterior envio a contas em paraísos fiscais.

Após essas etapas de ocultação, os valores retornavam para a própria casa de apostas no Brasil. As criptomoedas eram enviadas para contas do grupo empresarial, enquanto o dinheiro remetido às firmas no exterior reingressava no sistema sob o pretexto de pagamento de dividendos. O saldo mantido fora do país também era reaproveitado no custeio direto das operações da plataforma.

A Receita Federal destaca que os recursos repatriados no esquema foram empregados na aquisição de bens de luxo e no pagamento de taxas e outorgas exigidas pelo governo federal para a regulamentação do setor no país.