247 – Os Estados Unidos negaram novamente o visto do presidente palestino Mahmoud Abbas para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, que começa na próxima semana em Nova York. A medida, adotada pelo segundo ano consecutivo pelo governo de Donald Trump, impede o líder da Autoridade Palestina de discursar presencialmente no principal encontro anual de chefes de Estado e de governo da ONU.
Em comunicado, o Departamento de Estado justificou a decisão alegando que a Organização para a Libertação da Palestina, liderada por Abbas, não teria implementado reformas assumidas junto a Washington e continuaria envolvida em ações “que comprometem as perspectivas de paz”.
“Por isso, os Estados Unidos vão prorrogar as sanções que proíbem a concessão de vistos a membros da OLP e a responsáveis da Autoridade Palestina”, afirmou o Departamento de Estado.
A Autoridade Palestina reagiu à decisão e classificou a negativa de visto como uma “decisão injustificada”. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores palestino afirmou que a medida “vai contra os esforços para restabelecer a confiança e desenvolver as relações entre palestinos e americanos”.
A restrição repete a postura adotada por Washington no ano passado, quando Abbas também foi impedido de viajar aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral. Na ocasião, o presidente palestino precisou discursar por videoconferência.
O governo Trump acusa Abbas de descumprir “compromissos em favor da paz no Oriente Médio” e sustenta que a Autoridade Palestina busca internacionalizar o conflito com Israel por meio de organismos multilaterais, como o Tribunal Penal Internacional e a Corte Internacional de Justiça.
Segundo a Casa Branca, a Autoridade Palestina tenta “contornar as negociações” ao buscar reconhecimento unilateral de um Estado palestino. Washington também acusa a liderança palestina de manter pagamentos de “benefícios a terroristas” e de glorificar “atos de terrorismo e terroristas em declarações públicas e livros didáticos”.
A decisão ocorre em meio à escalada da violência nos territórios palestinos. Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, e a situação se agravou após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deu início à guerra na Faixa de Gaza.
A Assembleia Geral da ONU, em Nova York, costuma ser um dos principais palcos diplomáticos para a defesa internacional da causa palestina. Com a negativa de visto, Abbas fica novamente fora da reunião presencial em um momento de forte tensão no Oriente Médio e de crescente pressão internacional em torno da guerra em Gaza.






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