247 – O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, negou de forma peremptória ter qualquer tipo de relação de amizade ou proximidade com o empresário e banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A manifestação do chefe do Ministério Público Federal foi apresentada formalmente em sua defesa encaminhada ao Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), na qual rebate acusações de suspeição e faz críticas à conduta e às declarações do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da condução das investigações do chamado Caso Master.

O órgão colegiado do Ministério Público Federal marcou para 25 de setembro a análise do procedimento administrativo instaurado a respeito do procurador-geral. O foco central da apuração administrativa reside em mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro que foram colhidas no decorrer das investigações levadas a cabo pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero.

No ofício remetido diretamente ao subprocurador-geral da República, Francisco de Assis Vieira Sanseverino, Paulo Gonet rejeitou categoricamente os questionamentos sobre sua imparcialidade e refutou a existência de vínculos interpessoais ou profissionais com o controlador do Banco Master.

“Por questão lógica, já que a especulada suspeição projetaria efeitos sobre a minha atuação nos feitos respectivos, posso afirmar, em termos bastante diretos e simples, que não tenho com o Sr. Daniel Vorcaro relação de amizade alguma, nem muito menos tenho interesse pessoal nos processos em que ele conste como parte ou investigado”, sustentou a chefia do Ministério Público Federal no documento encaminhado ao colegiado.

Ao detalhar os registros levantados pelas investigações, Gonet pontuou que esteve presencialmente com o banqueiro em apenas uma ocasião ao longo de sua trajetória. Segundo o procurador-geral, o encontro ocorreu em abril de 2024, durante a realização de um fórum jurídico de caráter público na cidade de Londres, evento que contou com a presença de diversas outras autoridades e figuras públicas do meio jurídico brasileiro e internacional.

“Enfatizo que a minha única interação presencial com o senhor Daniel Vorcaro se deu em abril de 2024, em Londres, no evento promovido pelo Grupo Voto e pela revista eletrônica Consultor Jurídico, composto por painéis de assuntos jurídicos e de atualidades política, inclusive internacional”, registrou no texto.

O procurador-geral da República também ofereceu esclarecimentos sobre interlocuções telefônicas identificadas em relatórios produzidos pela Polícia Federal nas quais o seu nome figurava ligado a tentativas de contato com o empresário.

“Isso, em 15 de março de 2025. A conversa breve, seguida da interlocução do Sr. Vorcaro com o Sr. Ciro Soares, passou-se, também, antes de qualquer ciência minha de notícia de atividades ilícitas quaisquer. A breve saudação foi motivada por pedido do Sr. Ciro Soares e não envolveu senão brevíssimos instantes e sem assunto relevante ou que de qualquer forma se relacionasse com as minhas atribuições profissionais. A propósito, o Sr. Ciro Soares me foi apresentado como bem-sucedido advogado e empresário”, detalhou o procurador-geral na peça defensiva.

Durante a sessão extraordinária realizada pelo Supremo Tribunal Federal na última terça-feira (15), Gonet já havia reiterado publicamente que não mantém laços afetivos ou de proximidade com o dono do Banco Master. Na peça protocolada perante o CSMPF, ele classificou o conjunto das imputações formuladas contra ele como “descabidas e estapafúrdias”, concluindo estar “juridicamente plenamente apto” para prosseguir na condução dos processos relacionados à investigação e solicitando o arquivamento definitivo da tese de suspeição ou impedimento.

Para embasar seu pedido perante o órgão regulador do Ministério Público Federal, o PGR utilizou manifestações do próprio ministro André Mendonça proferidas durante o julgamento na Suprema Corte. Gonet destacou que o magistrado, mesmo tendo analisado o material e as trocas de mensagens colhidas pelas autoridades, reconheceu categoricamente a ausência de qualquer conduta ilícita ou irregular por parte da chefia da Procuradoria-Geral da República.

“Não é do meu feitio participar de debates públicos fora do lugar adequado para serem travados. Mesmo diante do reconhecimento pelo ministro que vasculhou mensagens com meu nome de que nada existe em meu desabono”, pontuou a defesa de Paulo Gonet no documento que será submetido ao crivo do conselho.