A Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) estão atentas a informações sobre uma possível interferência dos Estados Unidos no Brasil. O cenário ganhou relevância após a suspensão dos serviços consulares americanos no país, segundo informações do Correio Braziliense divulgadas na sexta-feira (2). Integrantes do governo brasileiro monitoram potenciais ameaças e ações associadas ao presidente Donald Trump.

A preocupação das autoridades brasileiras aumentou depois que os Estados Unidos suspenderam o atendimento consular no Brasil, citando questões de segurança. A interrupção afetou a Embaixada em Brasília e outras representações consulares. Alertas da PF e da Abin expressam apreensão com uma possível tentativa de golpe e com ameaças relacionadas ao funcionamento das instalações diplomáticas americanas.

Relatório e Contexto Político

Um relatório da Abin, enviado ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e Segurança Pública e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), teria classificado como de “nível de criticidade” a possibilidade de interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026. O documento analisou informações sobre as ações e diretrizes do governo americano entre novembro de 2025 e maio deste ano. Apesar do contexto, interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que a situação não deve evoluir para um cenário de maior gravidade.

As preocupações com a interferência dos EUA no Brasil se intensificaram a partir de janeiro de 2025, com a posse de Trump. Desde então, a família Bolsonaro teria estabelecido contatos com a extrema direita americana para incentivar sanções contra o Brasil, motivadas pela condenação de Jair Bolsonaro (PL) no inquérito da trama golpista. Além da possível interferência eleitoral, os EUA impuseram tarifas de 25% e 12,5% ao Brasil e classificaram o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho como facções criminosas. Essas medidas podem estimular sanções contra o governo brasileiro.

Relações Internacionais e Estratégia dos EUA

A aproximação do Brasil com a China, os BRICS e o Sul Global também é vista como um fator que impulsiona a tentativa de interferência do governo Trump, pois essas alianças representam uma resistência à hegemonia americana na economia global. Em junho de 2026, Trump indicou que a disputa presidencial brasileira representa um “grande teste” para a estratégia de Washington de manter sua “proeminência” na América Latina, conforme previsto na Estratégia de Segurança Nacional dos EUA de 2025.

Trump compartilhou em uma rede social um artigo de John Gizzi, correspondente da Casa Branca para o Newsmax, um veículo conservador, intitulado “Trump conquista 8 vitórias em 7 anos na América Latina”. O texto apontava a vitória do candidato de extrema direita Abelardo de la Espriella na Colômbia como um resultado favorável a Trump, inserido em um “amplo realinhamento ideológico pró-Trump” na região. O artigo também citava como “triunfos” de Trump as eleições de 2026 no Peru, Honduras, Bolívia e Chile, além de pleitos anteriores em El Salvador (2019), Argentina (2023) e Equador (2023).

O texto compartilhado por Trump menciona que seu governo enfrenta quatro desafios centrais na América Latina: Venezuela, Cuba, Nicarágua e Brasil. Entre esses, o Brasil é destacado como o “próximo grande teste” da estratégia americana na região, com a próxima eleição presidencial considerada “a disputa mais importante do hemisfério”.