A Polícia Federal (PF) deve apresentar ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), um relatório detalhado sobre as citações a ministros da Corte que surgiram durante as investigações do caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master. A informação foi divulgada nesta quinta-feira (1º) por fontes da PF, indicando que a formalização do material a Fachin visa deixar sob sua responsabilidade a definição dos próximos passos.

Internamente, a corporação avalia que a visibilidade pública das informações envolvendo membros do STF atingiu um ponto que exige um posicionamento institucional da própria Corte. Segundo um investigador, a situação "chegou no limite", referindo-se à necessidade de uma ação por parte do Supremo diante da quantidade de dados já tornados públicos.

Nos últimos meses, referências a ministros do STF, como Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques, e informações sobre suas relações com Vorcaro ou pessoas ligadas ao grupo Master vieram à tona. Cresceu, paralelamente, a pressão para que a Polícia Federal indicasse qual tratamento daria a esse material. Importante ressaltar que as citações, por si só, não configuram indício ou comprovação de irregularidades.

Próximos passos e evitações de conflitos

O entendimento da PF é que qualquer avanço nas investigações que envolvam diretamente ministros do STF necessita de uma deliberação da cúpula da própria Corte. Por essa razão, a corporação planeja entregar o relatório a Fachin, apresentar sua interpretação dos elementos coletados e solicitar que o presidente do Supremo indique o procedimento a ser adotado.

Essa movimentação também busca evitar um novo conflito institucional, similar ao ocorrido no início do ano, quando surgiram questionamentos sobre a atuação da PF em relação ao ministro Dias Toffoli. Naquela ocasião, membros do Supremo acusaram a corporação de avançar por iniciativa própria em informações sobre um integrante da Corte, o que a Polícia Federal refutou.

A discussão anterior evidenciou uma disputa sobre os limites das investigações que alcançam ministros do STF e sobre quem deveria autorizar o aprofundamento das apurações. A PF pretende adotar um procedimento mais formal, submetendo as informações diretamente a Fachin e aguardando sua determinação.

A expectativa agora é pela confirmação de um encontro entre representantes da PF e o presidente do Supremo. A Polícia Federal considera que, diante da grande quantidade de informações já divulgadas e da demanda por respostas, não seria viável simplesmente ignorar o material. Ao mesmo tempo, a estratégia é evitar que a própria PF tome decisões unilaterais sobre eventuais medidas relacionadas aos ministros mencionados, transferindo a Fachin a responsabilidade institucional pelos próximos passos.