O presidente do governo da Espanha, Pedro Sánchez, criticou nesta quarta-feira (23), em Nova York, na Assembleia Geral da ONU, o que chamou de ofensiva contra o multilateralismo e defendeu mudanças no Conselho de Segurança, incluindo o fim do poder de veto dos membros permanentes.

Em seu discurso, Sánchez afirmou que governos presentes à reunião desprezam princípios que sustentaram a criação das Nações Unidas. Segundo ele, há países que questionam regras internacionais, descumprem acordos e reduzem contribuições a organismos multilaterais, usando depois a fragilidade dessas instituições como argumento para enfraquecê-las ainda mais.

Defesa de reformas na onu

O premiê espanhol classificou essa estratégia como uma “tentativa de demolição planejada e coordenada”. Ele disse que o multilateralismo é o melhor instrumento para administrar a diversidade e a interdependência entre as nações e sustentou que a resposta exige reformas no funcionamento da ONU.

Além de pedir uma representação mais equilibrada entre as regiões no Conselho de Segurança, Sánchez defendeu mais recursos e capacidade de ação para órgãos, agências e programas da organização. Também pediu o fortalecimento do Tribunal Penal Internacional e a reconstrução dos mecanismos de não proliferação e desarmamento nuclear.

Mulher latino-americana na chefia da organização

Ao tratar da sucessão no comando da ONU, Sánchez lembrou que todos os nove secretários-gerais da história da organização foram homens. Por isso, afirmou que chegou a hora de escolher uma mulher da América Latina para a função.

O líder espanhol também mencionou a política externa de seu governo como exemplo do que defende, citando posições contrárias a guerras de agressão na Ucrânia, no Líbano e no Irã, o embargo de armas a Israel e a ampliação da cooperação internacional. No fim, disse que a Espanha seguirá apoiando a cooperação e as reformas que considera necessárias para que a ONU enfrente as crises atuais.