J.B. Carvalho, pastor da igreja onde Flávio Bolsonaro foi batizado, defende a retirada de Nossa Senhora Aparecida do posto de padroeira do Brasil, conforme exposto em seu livro de 2001. A publicação, intitulada "A Bomba: A verdade pode ser explosiva", classifica a santa como um disfarce de deusas demoníacas e sugere que a nomeação de Nossa Senhora Aparecida como padroeira trouxe consequências negativas para o país.

A visão do pastor vai além, referindo-se a Nossa Senhora Aparecida como “Deusa da Promiscuidade”, uma "entidade macabra promotora da prostituição e da pornografia mundial". Ele a descreve como estando por trás da indústria do sexo e da perversão, uma "deusa do amor pervertido e amoral", que promove o aborto e a licenciosidade. Tais declarações, segundo trechos do livro, indicam que ela seria a "mais poderosa entidade infernal de todas as mitologias" e o "braço direito de Satanás".

Críticas à laicidade do Estado

O autor do livro também questiona a legalidade da lei que reconheceu Nossa Senhora Aparecida como padroeira nacional e o feriado de 12 de outubro. Ele argumenta que, após a entronização da santa, o Brasil enfrentou recessão, inflação e problemas sociais, como secas e aumento da criminalidade. A autoria do livro aponta a necessidade de "destronar a Rainha em nossa nação e servir ao Deus verdadeiro", conclamando os evangélicos a se manifestarem contra a permanência de Nossa Senhora Aparecida como padroeira.

O título de padroeira do Brasil foi oficializado pelo Papa Pio XI em 1930. O reconhecimento do dia 12 de outubro como feriado nacional ocorreu em 1980, pela Lei nº 6.802, sancionada pelo então presidente João Batista Figueiredo.

Histórico de controvérsias

Essa não é a primeira vez que líderes evangélicos se manifestam contra Nossa Senhora Aparecida ou o catolicismo. Em 1995, o bispo Sérgio Von Helder, da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou uma imagem da santa em rede nacional. Outros exemplos incluem a pastora Ana Paula Valadão, que em 2010 profetizou o fim da Igreja Católica e do culto a Nossa Senhora, chamando-o de “Mariolatria”. Mais recentemente, o pastor Sérgio Fernandes, da Igreja Vida Nova, chamou uma imagem da santa de “Satanás fantasiado de azul”.

Em outro momento, Silas Malafaia criticou o catolicismo e o associou à origem do Partido dos Trabalhadores, em um evento com a presença de Flávio Bolsonaro. Em 2000, os fundadores da Igreja Renascer em Cristo, Estevam e Sônia Hernandes, lançaram uma campanha nacional contra o título de padroeira do Brasil, questionando o feriado de 12 de outubro e a associação da imagem à idolatria.