J. B. Carvalho, pastor da Igreja Comunidade das Nações, conhecido por sua proximidade com a família Bolsonaro, defende publicamente a remoção do status de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil. O líder religioso alega que o feriado nacional de 12 de outubro seria ilegal. Essa posição foi detalhada em seu livro “A Bomba”, publicado em 2001, onde ele contesta a base legal para a consagração da santa como padroeira.
Carvalho argumenta que não há “amparo constitucional” para impor uma “deusa mariana” como padroeira a uma nação, visto que o Brasil não mantém mais a ligação entre Igreja e Estado. Para ele, a separação entre as duas instituições, estabelecida pela Constituição de 1891 e mantida nas cartas subsequentes, invalida a legislação que oficializa o feriado. A Lei nº 6.802, de 1980, sancionada pelo presidente João Figueiredo, que instituiu o feriado, é considerada por ele sem validade jurídica.
Críticas teológicas e apelo à mobilização religiosa
Além das objeções legais, o pastor faz uma crítica teológica à devoção católica, convocando uma mobilização contra o que ele chama de “marianismo”. Em sua obra, ele afirma que “Maria não é senhora, porque no cristianismo não existe senhora, só existe Senhor”, sugerindo que a adoração a Maria foi uma invenção da Igreja Católica para substituir divindades pagãs. Ele compara a veneração à imagem da padroeira a um “culto pagão às divindades femininas” e alerta para possíveis punições divinas por essa prática.
A argumentação de Carvalho se estende à contagem das rezas do terço, onde ele observa que a Ave Maria é repetida em maior número que o Pai Nosso, o que, em sua visão, colocaria a mãe em centralidade, e não o filho. O pastor insiste que “Jesus Cristo seja nosso Único Senhor no Brasil” e critica a imagem da padroeira como a “imagem escura de uma deusa”.
Apesar das interpretações do pastor, a legislação federal em vigor mantém o feriado de 12 de outubro e a titularidade de Nossa Senhora Aparecida como padroeira. A Lei nº 6.802/1980, resultante de um projeto de lei de 1979, permanece sem revogação.
Proximidade com a família Bolsonaro
A relação entre J. B. Carvalho e a família Bolsonaro é notória. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) converteu-se à denominação em 2022 e foi batizado na igreja em 2024, ao lado de sua esposa. O vínculo se estende a Jair Bolsonaro (PL), a quem Flávio presenteou com o livro “Metanoia – A Chave Está Em Sua Mente”, de autoria de Carvalho, em 2025. O pastor também manifestou apoio público a Jair Bolsonaro em um momento de dificuldade, expressando solidariedade e confiança em sua superação.






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