Durante um comício realizado em Belém, no Pará, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta segunda-feira (28) que Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil, será respeitada e que qualquer tentativa de desrespeito será coibida. A fala do presidente surge em meio a uma polêmica eleitoral envolvendo a falsa informação de que Flávio Bolsonaro (PL) teria intenção de retirar o título de Padroeira da santa. Lula enfatizou a importância de respeitar todas as religiões, incluindo as de matriz africana.

Aproveitando o contexto da liberdade religiosa, o presidente direcionou críticas à Igreja Batista da Lagoinha e ao pastor André Valadão, mencionando a relação da instituição com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. Lula afirmou que “a única igreja mentirosa é aquela da Lagoinha daquele pastor chamado Valadão que era sócio do Vorcaro”. A Lagoinha, por sua vez, nega qualquer irregularidade ligada ao caso Master e ressalta a autonomia de suas unidades. A primeira-dama, Janja Lula da Silva, também abordou o tema, condenando a exploração da fé alheia e defendendo o respeito a todas as crenças, pedindo proteção contra “falsos profetas da fé”. Ao final do evento, o ex-governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), entregou a Lula uma imagem de Nossa Senhora de Nazaré.

Soberania e Recursos Naturais

Em seu discurso, o presidente também tratou das eleições e reforçou a defesa da soberania brasileira, posicionando-se contra qualquer interferência externa. Lula pediu que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não interfira no processo eleitoral do Brasil, reiterando a posição que havia manifestado na Assembleia Geral das Nações Unidas sobre a não ingerência em processos eleitorais de outros países.

O desenvolvimento econômico também foi pauta, com Lula abordando a exploração de minerais críticos e terras raras no Brasil. Ele defendeu que o país não se limite à exportação de matéria-prima, mas que invista no desenvolvimento de etapas industriais para agregar valor aos recursos minerais. Essa estratégia inclui investimentos, parcerias e a transferência de tecnologia para processar os minerais e fortalecer as cadeias produtivas nacionais, frente ao crescente interesse internacional pelas reservas brasileiras.

Cenário Político no Pará

O comício também revelou as complexidades da aliança política de Lula no Pará. Helder Barbalho, Chicão e Celso Sabino, candidatos ao Senado, estiveram presentes ao lado do presidente. Sabino, que inicialmente não estava previsto para o palanque principal, foi incluído a pedido de Lula. Ele destacou sua permanência ao lado do presidente, apesar das pressões políticas de sua antiga sigla. Lula cobrou união dos aliados para maximizar as chances eleitorais do campo governista, enquanto Chicão enfatizou o trabalho coletivo e Helder alertou para o risco de as divisões internas beneficiarem os adversários.

Esta disputa ocorre na reta final da campanha. Pesquisas da Quaest indicam Helder na liderança para o Senado. Na corrida pelo governo paraense, Dr. Daniel aparece com 41% e Hana Ghassan com 32%. O evento em Belém marcou a última semana de campanha de Lula antes do primeiro turno, agendado para o dia 4 de outubro.