O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, repudiou publicamente a associação feita entre abuso sexual e uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A controvérsia surgiu após o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) divulgar um vídeo nas redes sociais explorando um trecho isolado da fala de Lula, que se referia à resistência de homens ao exame de próstata e à familiaridade feminina com exames ginecológicos. Padilha descreveu a interpretação, disseminada por integrantes de campanha, como "repugnante", esclarecendo que a declaração do presidente abordava a prevenção do câncer.

Contexto da declaração e a distorção

A declaração que gerou a polêmica foi proferida por Lula durante um evento de campanha em Belém, no Pará. Na ocasião, o presidente discutia uma cirurgia robótica para câncer de próstata e comentou sobre a relutância masculina em realizar exames preventivos. Ele afirmou: “O homem é covarde, ele não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta de toque. As mulheres aprendem a tomar toque desde quando é pequena. O homem, não. Ele é cheio de trejeitos. Ele não sabe que quando ele tiver câncer próstata vão dar muito toque nele.”

Nikolas Ferreira publicou um vídeo destacando a frase sobre mulheres “aprenderem a tomar toque desde quando é pequena” e questionou: “Meninas não são, Lula, tocadas desde cedo, não.” Em seguida, o deputado associou a fala à pedofilia, dizendo: “Imagina um pedófilo ouvindo uma declaração do presidente da República falando isso.” O ministro Padilha ressaltou que a íntegra da fala de Lula evidencia que o contexto era a prevenção do câncer e não abuso infantil.

Impacto na saúde pública e ação judicial

Padilha alertou que a distorção da fala de Lula vai além da disputa eleitoral, podendo prejudicar campanhas de conscientização sobre prevenção e diagnóstico precoce do câncer. Segundo ele, tratar de forma pejorativa exames preventivos pode impactar negativamente as iniciativas de rastreamento de doenças. “Alguém querer de forma maldosa, repugnante, querer distorcer uma fala dele sobre toque de próstata, toque vaginal, exame vaginal, como qualquer coisa de relação com abuso sexual, é repugnante e faz muito mal ao debate político do país e também faz mal à saúde pública”, declarou.

A campanha de Lula encaminhou o caso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), contestando as publicações dos opositores, com foco na postagem de Nikolas Ferreira. A representação alega que as publicações atribuíram uma conotação sexual a uma declaração exclusivamente sobre saúde pública e solicita a remoção dos conteúdos, além de medidas para coibir a disseminação de material semelhante.

O ministro Padilha também relembrou a experiência pessoal de Lula com o câncer, citando a perda de sua mãe, Dona Lindu, para a doença e o próprio enfrentamento do presidente ao câncer. Ele destacou que Lula frequentemente aborda o tema da prevenção devido a essas experiências. Padilha defendeu a ampliação da vacinação contra o HPV e a adoção de novas tecnologias para a detecção do vírus, como o teste molecular para DNA-HPV incorporado ao SUS, que visa reduzir a incidência do câncer de colo de útero.

Padilha criticou a tentativa de distorcer a fala do presidente sobre a importância do exame preventivo com alusões a abuso sexual ou pedofilia, classificando a postura como "repugnante". Ao final da declaração, o ministro relacionou a ofensiva contra Lula à controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida, que também tem sido explorada na campanha eleitoral, sugerindo que a distorção busca desviar o foco de outras discussões. Ele reforçou a importância de continuar as campanhas de conscientização sobre a prevenção do câncer no país.