Dados declarados à Justiça Eleitoral mostram que oito dos nove assessores do escritório político do senador Sergio Moro (PL) em Curitiba constam como doadores da campanha ao governo do Paraná, com repasses que somam R$ 65 mil. As informações são de 17 de outubro.

Os registros chamam atenção porque foram lançados no mesmo dia e com valores próximos. Após a divulgação, a equipe de Moro informou que não houve doação em dinheiro por parte dos servidores.

Valores registrados na Justiça Eleitoral

O maior valor aparece em nome de Lucas Alves de Lima Barros de Góes, assessor parlamentar no Senado, com R$ 25 mil. Também consta Adriana Kaminski Araújo, com R$ 10 mil.

Outros seis servidores foram registrados com R$ 5 mil cada: Alcione Tadeu Gomes, Bruno Mudryk Neves, Ana Paula Camargo de Araújo, Carlos Henrique Rossato Gomes, Fábio Bento Aguayo e José Jaime Paula da Silva. Segundo a reportagem, os salários brutos desses assessores variam de R$ 9.326,00 a R$ 25.971,16.

Campanha diz que houve trabalho voluntário

Em nota, a assessoria de Moro afirmou que os valores são estimados e se referem à disponibilidade dos assessores para atuar voluntariamente na campanha em períodos livres. “Os servidores se disponibilizaram, por vontade própria, a colaborar com a campanha nos períodos que tinham disponibilidade – de acordo com a legislação vigente. Registre-se, por oportuno, que se trata de trabalho voluntário na forma de doações estimadas e que nenhum servidor fez doações em dinheiro à campanha”, disse a equipe do senador.

Entre os nomes citados, Fábio Bento Aguayo atua politicamente em Curitiba e preside a Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas (Abrabar). Carlos Henrique Rossato Gomes, que foi prefeito de Paranavaí, também aparece entre os registros. A reportagem ainda lembra que Aguayo passou a comandar o Democracia Cristã no Paraná em julho, ao lado do advogado Jorge Augusto Derviche Casagrande.

A publicação também relaciona Aguayo a episódios recentes da disputa política no estado e cita que ele foi mencionado pelo advogado Rodrigo Tacla Duran como interlocutor de Moro no período em que era processado em Curitiba. Moro nega a acusação.