No ano passado, o Brasil gastou R$ 2,135 trilhões com os serviços da dívida pública, valor que correspondeu a 42,24% do Orçamento Federal Executado de R$ 5,054 trilhões, segundo a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD).

Os dados, divulgados em um gráfico elaborado pela entidade desde 2011, mostram que os dispêndios com a dívida ficaram muito acima de áreas como educação, saúde e defesa nacional. Educação respondeu por 3,18% do total, Saúde por 4,27% e Defesa Nacional por 1,74%.

peso da dívida no orçamento

De acordo com a ACD, esse peso não é um episódio isolado. A entidade afirma que, há décadas, os serviços da dívida ocupam espaço prioritário nas contas públicas em relação aos gastos primários.

O levantamento também indica que, em 25 anos, os gastos com juros e amortizações da dívida pública e com a Previdência Social avançaram de forma relevante. No caso da Previdência, a fatia no PIB passou de 5,6% para 8,1%.

previdência, demografia e economia

O texto relaciona a alta da despesa previdenciária ao envelhecimento da população, à ampliação de direitos pela Constituição de 1988, à expansão do BPC/LOAS e ao ritmo mais lento de crescimento do PIB real, que teria avançado cerca de 2,4% ao ano no período.

Ao tratar da dívida pública, a entidade sustenta que ela é o principal problema fiscal do país e diz que a discussão sobre ajuste costuma se concentrar nos gastos primários, enquanto os custos com juros e amortizações seguem intocados.