O Brasil assiste a um fenômeno de viralização da imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do país, e a situação remete ao universo de Ariano Suassuna. A sabedoria popular e a ironia presentes em 'O Auto da Compadecida' parecem se manifestar novamente, com a santa assumindo o papel de protetora do povo, assim como defende João Grilo na peça.
A imagem de Nossa Senhora se espalha por todo o país, representando a força do Nordeste e dos brasileiros, especialmente daqueles que, como João Grilo, precisam de perspicácia para sobreviver às armadilhas dos mais poderosos. O personagem de Suassuna, com sua simplicidade e devoção, reflete a capacidade do povo de enxergar a verdade para além das aparências.
A política e o auto popular
Nesse cenário, a narrativa é confrontada com a figura do candidato Flávio Bolsonaro. Ele é retratado como um personagem que, em um roteiro de Suassuna, representaria as ligações com o submundo da política e do poder. Apesar de sua postura arrogante e das mentiras proferidas, ele se esquece de que o público não é dono de ninguém.
A parábola sugere que o povo não se deixa enganar por falsas aparências. Nossa Senhora Aparecida, através da figura de João Grilo, permanece como a protagonista dessa história. Aqueles que acreditam que podem governar sem considerar o povo, valorizando mais títulos e sobrenomes do que a verdade, enfrentarão um desfecho já traçado.
A lição final é clara: o roteiro, como em todo bom auto, já está escrito. O desfecho favorece aqueles que mantêm a fé na justiça e na esperança, mostrando que a verdadeira força reside na sabedoria e na resistência popular.






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