Domingão de eleição, dia de colocar a camisa e ir para a urna, e a gente aqui na coluna pensando: o que a escola leva para a comunidade e o que a comunidade leva para a escola?

As notícias da semana mostram bem como o universo escolar é amplo, às vezes surpreendente, e como é importante ficarmos de olho no que acontece por lá. Em meio à polarização da eleição, não podemos esquecer que a construção do futuro passa, inevitavelmente, pela educação que oferecemos hoje.

Um choque de realidade em Cambé

Vamos começar pelo que chocou muita gente: a história das câmeras escondidas nos banheiros do Colégio Estadual Cívico-Militar Érico Veríssimo, em Cambé. Estudantes descobriram os dispositivos e fizeram um protesto, registrando até boletim de ocorrência por violação de intimidade. A direção do colégio, que deveria zelar pela segurança e bem-estar dos alunos, disse que as câmeras focavam só na entrada e chamou a retirada dos equipamentos de vandalismo.

Olha, o que posso dizer? Essa história é um atestado de que a gente não pode baixar a guarda. Que tipo de ambiente estamos construindo para nossos jovens se nem o banheiro, lugar de intimidade, é seguro? A direção da escola defende a vigilância, mas violar a privacidade dos alunos assim é passar de todos os limites. Espero que a apuração do Núcleo Regional de Educação traga respostas e que os responsáveis sejam cobrados. Escolas cívico-militares já levantam debates sobre a militarização do ensino, e um caso como esse só joga mais lenha na fogueira. A gente defende segurança, sim, mas não a qualquer custo e, muito menos, violando direitos fundamentais.

Boas notícias que inspiram

Mas nem tudo foi assim. Em Londrina, tivemos exemplos de como a comunidade e a escola podem se unir para coisas boas. Três estudantes do Colégio Estadual Cívico-Militar do Patrimônio Regina, também do 9º ano, estão desenvolvendo um repelente natural contra escorpiões. Usando arruda, eles criaram uma alternativa ecológica e de baixo custo para afastar esses bichos que causam tantos acidentes na nossa região.

Outro ponto positivo foi a ação que levou atendimento oftalmológico gratuito para 150 crianças da rede municipal. O projeto Hoftalon nas Escolas, que completa 20 anos, mostra a importância de identificar problemas de visão cedo, já que isso afeta diretamente a aprendizagem. E a doação de óculos? É um apoio concreto que faz toda a diferença na vida escolar desses pequenos.

Também vale destacar o projeto Nutri-Ela, da Universidade Pitágoras Unopar Anhanguera em parceria com a Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, que oferece orientação nutricional gratuita para mulheres. E ainda, tivemos a 1ª Feira Universo Sigma, que trouxe mais de 60 pesquisas científicas de alunos, da Educação Infantil ao Ensino Médio.

Essas iniciativas mostram que a escola, quando aberta à comunidade e à inovação, pode ser um celeiro de soluções e de bem-estar. Não são apenas muros, mas um ecossistema que pulsa e se conecta com a vida das pessoas. É a prova de que a educação de qualidade se constrói com parcerias, ciência e, principalmente, um olhar humano e empático.

O futuro está em jogo: vote pela democracia

No dia de hoje, em que exercemos nosso direito ao voto, é fundamental lembrar que a educação pública de qualidade, a valorização dos professores, o acesso à ciência e a defesa dos direitos são pilares de uma democracia forte. Estamos decidindo não só quem vai governar, mas que tipo de país queremos deixar para as próximas gerações.

O que você espera que a escola leve para a sua comunidade, e o que você está levando para a escola hoje?

A coluna Sala dos Professores sai todo domingo na seção Educação do Você Viu Isso?. É opinião: os fatos estão nas matérias citadas.