Domingo, dia de eleição. E que eleição, meus amigos! Enquanto a gente decide os rumos do país, a vida cultural, como sempre, não para. E é bom que seja assim. Afinal, a cultura é parte fundamental do nosso exercício de cidadania, do nosso olhar crítico para o mundo e da nossa capacidade de sonhar com um futuro melhor.
Curitiba que o diga. Enquanto a Rua João Parolin, ali perto do TRE-PR, está bloqueada para a operação eleitoral (Eventos causam interdições no trânsito de Curitiba neste fim de semana), o restante da cidade vibra. E é exatamente essa a beleza do nosso país: a capacidade de conciliar o dever cívico com a celebração da vida. Enquanto a democracia se exerce nas urnas, a arte se manifesta nos palcos. É a prova de que a nossa sociedade, mesmo em momentos de tensão, valoriza tanto o voto quanto a cultura.
A cultura em pauta: de Foz do Iguaçu a Londrina
E por falar em Curitiba, é bom lembrar que o debate político foi intenso por lá. A presença do vice-presidente Geraldo Alckmin na capital paranaense, defendendo a democracia e o diálogo (Geraldo Alckmin participa de ato em Curitiba e fala sobre crescimento da campanha de Lula), mostra a importância do Paraná neste segundo turno decisivo. E mesmo com o furor da eleição, a agenda cultural do estado segue a todo vapor, provando que a arte é um respiro necessário e um motor de reflexão.
Em Foz do Iguaçu, por exemplo, o Festival Iguassu Inova traz shows gratuitos de Emicida, Duda Beat e Arnaldo Antunes em novembro (Emicida e artistas fazem shows gratuitos em Foz do Iguaçu em novembro). É a cultura que se espalha pelo interior, levando a potência da música a um público que talvez não tenha acesso tão fácil a grandes eventos. E em Londrina, o palco também está cheio! Rodrigo Borges, sobrinho de Lô Borges, trouxe o show “Ouro de Minas”, celebrando o Clube da Esquina (Show "Ouro de Minas" celebra o Clube da Esquina com Rodrigo Borges e Osibisa Rock). Um presente para os ouvidos, uma viagem pela rica musicalidade mineira que tanto influenciou a nossa MPB. E o Festival de Dança de Londrina 2026, com espetáculos e oficinas, prova que a cidade é um polo cultural efervescente.
É bom ver Londrina e o Paraná se destacando. De um lado, a urgência da política, a defesa da democracia. Do outro, a resiliência da cultura, que se mantém viva e relevante, oferecendo espaços de beleza, reflexão e entretenimento. E por falar em reflexão, o documentário “Poesia Documentada: Lute como Uma Gorda” estreou na UEL (Documentário sobre gordofobia estreia na UEL com poesia e ativismo), jogando luz sobre a gordofobia de forma poética e contundente. É a arte a serviço da mudança, do debate, da quebra de preconceitos. É a voz da minoria ecoando e buscando espaço, algo que se torna ainda mais vital em tempos de polarização.
A arte como elo e herança
E a semana também nos trouxe a triste notícia da morte de Lua Blanco, aos 39 anos (Atriz e cantora Lua Blanco morre aos 39 anos). Uma perda precoce para o cenário artístico, que nos lembra da fragilidade da vida e da importância de valorizarmos cada talento, cada voz. Lua, que se popularizou em “Rebelde”, deixou sua marca e agora vive na memória de fãs e colegas. É um lembrete de como a arte conecta gerações e se perpetua, mesmo após a partida dos artistas.
Enfim, neste domingo de segundo turno, enquanto o Brasil decide seu futuro, a cultura continua a nos alimentar, a nos fazer pensar, a nos emocionar. É um lembrete de que, não importa o resultado das urnas, a arte sempre estará lá para nos dar voz, para nos inspirar e para nos lembrar da beleza complexa da nossa existência. Que a democracia vença hoje, e que a cultura continue a florescer sempre. Porque um país sem cultura é um país sem alma, sem reflexão, sem futuro. E isso, você viu, a gente não aceita.
Que o seu voto seja consciente, e que a sua semana seja cheia de boa arte. Até a próxima!
A coluna Na Plateia sai todo domingo na seção Cultura do Você Viu Isso?. É opinião: os fatos estão nas matérias citadas.







Comentários
Seja o primeiro a comentar.