Lula deve manter diálogo com Trump para negociar redução das tarifas americanas e defender a soberania brasileira durante seu quarto mandato, que coincidirá com os dois anos finais da gestão republicana nos Estados Unidos. Integrantes do governo brasileiro avaliam que a relação com Washington será o principal desafio externo deste período.
Comércio e diplomacia
Segundo interlocutores do governo brasileiro, Washington sinalizou disposição para destravar negociações sobre as tarifas de 37,5% após a eleição. Reduzir essas barreiras representaria um dos primeiros testes da capacidade do Planalto em converter seu discurso de autonomia em resultados econômicos. Outra prioridade é conceder o aval diplomático para que Daniel Perez, indicado pelos Estados Unidos como embaixador em Brasília, assuma o cargo — movimento que pode sinalizar disposição de diminuir tensões.
A relação entre os presidentes alterna entre aproximação e distância. Trump descreveu Lula como "dinâmico" durante visita do brasileiro à Casa Branca, mas também o chamou de "volátil". Relatos de encontro intermediado pelo banqueiro André Esteves indicam respeito de Trump pelo presidente. Porém, essa abertura não é uniforme: o Departamento de Estado, comandado por Marco Rubio, mantém postura mais crítica a Lula.
Segurança e competição geopolítica
Trump designou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, integrando o Brasil em estratégia regional de combate ao crime organizado. Washington também promove o Escudo das Américas, coalizão de governos com compromissos econômicos e de segurança. Lula rejeita aderir por considerar que suas prioridades foram estabelecidas unilateralmente pelos americanos.
A disputa sino-americana acrescentará dificuldades às negociações. O Brasil pretende manter relações comerciais com China, seus principais parceiros, enquanto Washington busca reduzir dependência de Pequim em áreas estratégicas. Terras raras e minerais críticos devem ganhar espaço crescente na agenda bilateral, com o Brasil buscando parcerias que incluam processamento industrial no país.
Os canais mantidos por Eduardo Bolsonaro, Paulo Figueiredo e outros aliados de Jair Bolsonaro em Washington continuarão sob acompanhamento do Planalto. Interlocutores de Lula avaliam que essas articulações permanecerão ativas após a derrota eleitoral.
Com a eleição definida, a relação bilateral enfrará em fase de decisões concretas sobre tarifas, representação diplomática, cooperação em segurança e exploração de recursos estratégicos. A estratégia do governo brasileiro combina abertura para negociar com a defesa da soberania, tema que marcou a campanha presidencial.







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