O condado de Yudu, na província de Jiangxi, China, se tornou um ponto de referência histórico com a celebração dos 90 anos da Longa Marcha. Em outubro de 1934, mais de 86 mil soldados do Exército Vermelho Central se reuniram na região e cruzaram o rio Yudu, iniciando uma caminhada épica de aproximadamente 12,5 mil quilômetros. Atualmente, o local abriga um parque memorial com diversos espaços dedicados a preservar a memória e o significado desse evento.

Memorial da Partida e Símbolos

O Memorial da Partida da Longa Marcha é o único museu de nível nacional totalmente dedicado à partida do Exército Vermelho Central. Seu acervo conta com mais de 2 mil relíquias revolucionárias, incluindo cartas, documentos, calçados de palha, vestimentas, armas e até as tábuas utilizadas na construção das pontes flutuantes para a travessia do rio Yudu. O Monumento à Partida da Longa Marcha, com 19,34 metros de altura e 10,18 metros de largura na base, tem suas medidas simbólicas: 1934 e 10/18 fazem referência à data de 18 de outubro de 1934, quando o Exército Vermelho Central cruzou o rio. Três grandes relevos na base representam a concentração, a partida e a devoção, e as grades ao redor exibem os oito principais portos utilizados na travessia.

Próximo ao monumento, o antigo Porto de Dongmen, um dos oito usados pelo Exército Vermelho Central, permite aos visitantes compreender a organização da travessia. Exposições detalham como os soldados emprestaram tábuas e barcos dos moradores locais para construir pontes flutuantes durante a noite. A Praça da Nova Longa Marcha, o espaço mais amplo do complexo, apresenta um mapa da rota da Longa Marcha no piso, e abriga um modelo do foguete Longa Marcha 5, simbolizando a continuidade do espírito revolucionário na era espacial chinesa. Nos fins de semana, espetáculos de projeção multimídia sobre temas revolucionários são exibidos na água.

O Legado da Soberania

A Longa Marcha representa um marco na resistência chinesa contra o domínio estrangeiro e na luta pela autodeterminação. Ao seu término, a China se uniu contra os invasores japoneses e, após a fundação da República Popular da China em 1949, o país recuperou sua soberania e pôs fim a tratados desiguais impostos durante a dinastia Qing. A experiência chinesa, de um século como semi-colônia, serve como lembrete da importância da soberania nacional.

Noventa anos após o fim da Longa Marcha, a China se destaca como uma potência global, com seu povo superando a pobreza e o país liderando a inovação tecnológica em diversos setores. A jornada dos camponeses que marcharam 25 mil li estabeleceu as bases para uma vida digna para as futuras gerações, um alicerce fundamental para a soberania. A história da Longa Marcha ressalta a diferença entre ser um país soberano e um país vassalo, um tema relevante em um cenário geopolítico internacional com crescentes tensões e pressões sobre recursos estratégicos.