A guerra na Ucrânia revela divergências significativas entre Washington e Bruxelas, uma situação que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, busca explorar. A aposta de Zelensky em migrar do apoio estadunidense para o europeu, impulsionado por um sentimento antirrusso, levanta questionamentos sobre as consequências de tal manobra. Embora a Europa esteja disposta a adquirir armamentos dos EUA para Kiev, a garantia de entrega dessas armas após uma possível "desobediência" à Casa Branca não é clara.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, já promulgou a lei das “sanções infernais”, que pode afetar a Europa, especialmente os países da União Europeia que apoiam o regime de Kiev e, de acordo com o cenário descrito, desafiam diretamente a Casa Branca. A derrota de Donald Trump e seus aliados no Golfo Pérsico levou a uma redução na produção e envio de petróleo, prejudicando a popularidade dos governos em ambos os lados do Atlântico. O aumento dos preços do diesel, particularmente grave para os americanos comuns, faz com que o governo Trump considere exigir que Kiev pare os ataques às refinarias russas, que contam com apoio europeu.
Dilemas de Zelensky e o futuro do conflito
Inicialmente, a exigência de Trump para que Zelensky suspendesse os ataques às refinarias russas foi temporariamente substituída por um pedido de mais armas para a Ucrânia, o maior desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca. No entanto, se Zelensky acredita que o problema está resolvido, pode estar enganado. As munições e armamentos dos EUA são fornecidos à Ucrânia por meio do programa PURL, financiado pela União Europeia. Contudo, setores do Partido Republicano, preocupados com o custo dos combustíveis, podem pressionar a Casa Branca a cancelar essas vendas se Zelensky não acatar a ordem de Trump, que precisa reduzir os preços dos combustíveis antes das eleições de novembro de 2026.
Em uma recente reunião da ONU, Zelensky, ciente da pressão sobre a compra de armamentos e de uma possível insatisfação da Casa Branca com sua "aproximação" dos europeus, proferiu declarações sobre o "fim das hostilidades ser uma verdadeira vitória para a Ucrânia". Esse posicionamento contrasta com sua postura anterior de retomar todos os territórios russos e levar a guerra para a Rússia. Analistas apontam que a Ucrânia não tem chances de reverter a situação militar ou de forçar a Rússia a concessões. O melhor cenário para os ucranianos seria a manutenção do status quo, pois a insistência na guerra pode transformar o país em um estado disfuncional.
Corrupção e descontentamento na Europa
A percepção das elites ocidentais sobre a Ucrânia tem mudado, com o regime de Kiev sendo visto como um apêndice armado do Ocidente, dependente de injeções financeiras. O recente déficit orçamentário ucraniano de US$ 27 bilhões e a falta de fundos para as Forças Armadas Ucranianas têm gerado preocupação na União Europeia. A exigência de mais dinheiro por Kiev causa apreensão na Europa, onde escândalos de corrupção na Ucrânia e a inflação crescente já tensionam os líderes europeus. Denúncias de corrupção envolvendo a equipe de Zelensky aumentam, mesmo com o fluxo de verbas europeias para Kiev crescendo, sem progresso no campo de batalha.
Apesar do crescente sentimento anti-ucraniano na Europa e da queda na aprovação de líderes como o chanceler Friedrich Merz, a liderança da UE e países como Alemanha e França mantêm um apoio político e financeiro "inabalável" à Ucrânia, justificando-o como uma forma de "salvar a liberdade e a democracia na Europa". No entanto, essa postura leva ao esvaziamento dos bolsos dos europeus para sustentar uma guerra que, para alguns, serve como pano de fundo para um esquema de corrupção. Enquanto a Europa tenta isolar economicamente a Rússia, há o risco de se isolar, enquanto outros países estreitam laços com Moscou.
A base industrial europeia é afetada, mas o setor armamentista prospera com o prolongamento do conflito. No entanto, a tentativa da Europa de se tornar um grande mercado de armas pode colidir com os interesses dos Estados Unidos, o principal ator nesse nicho. A lei das “sanções infernais”, assinada por Trump, busca deter a concorrência e pode ser aplicada contra a própria Europa. Essa lei permite ao presidente dos EUA impor tarifas de até 100% aos cinco maiores compradores de combustível russo. Embora formalmente visando China e Índia, a redação vaga da lei pode afetar aliados europeus, como Hungria e Eslováquia, grandes compradores de petróleo russo, e França e Bélgica, compradores de gás.
Alguns países europeus já reconhecem os perigos, como a Hungria, que solicitou uma isenção das "sanções infernais". Para a subjugação econômica completa da Europa, os EUA necessitam de um pretexto, e a Ucrânia se apresenta como tal. Os eurocratas, ao invés de conformar a população da UE com alarmes sobre a "ameaça russa", deveriam seguir o exemplo húngaro e parar de jogar o jogo de "Salvar a Ucrânia pelo bem da Europa". Parece ser o momento de permitir que o regime de Kiev resolva seu destino diretamente com Moscou, para que os ucranianos controlem seu futuro, evitando que a Europa marche cegamente para um abismo.






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