O jornal O Globo, em editorial publicado na sexta-feira (2), defendeu a decisão da TV Globo de cancelar o último debate presidencial antes do primeiro turno das eleições. A publicação criticou a ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no evento, alegando que intervenções judiciais de última hora comprometeram a capacidade da emissora de organizar o encontro. A argumentação do jornal sugere que as decisões da justiça teriam limitado a liberdade de organização da emissora.

Ausência de Lula e decisões judiciais

Lula optou por não participar do debate e concedeu uma entrevista ao Flow Podcast. Flávio Bolsonaro também desistiu de participar horas antes do programa. O cancelamento do debate pela Globo ocorreu após decisões judiciais alterarem aspectos das regras e da composição do evento. A emissora afirmou que a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), proibiu a manutenção de um púlpito vazio com o nome de Lula e a formulação de perguntas ao candidato ausente. Outra decisão, do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a participação de Renan Santos, do Missão, e Romeu Zema também obteve judicialmente o direito de participar.

O editorial do jornal O Globo argumentou que as intervenções judiciais representaram uma ameaça à liberdade de imprensa. Contudo, outra interpretação possível é que essas decisões visavam garantir o equilíbrio eleitoral, impedindo que um candidato ausente fosse alvo de ataques sem direito de resposta.

Transformação da comunicação e formato dos debates

A escolha de Lula por outro palco, como o Flow Podcast, reflete uma transformação significativa na comunicação brasileira. Antigamente, a participação no debate final da Globo era vista como um rito obrigatório para candidatos à Presidência, dado o monopólio da emissora na audiência. Atualmente, a Globo continua sendo um dos maiores grupos de comunicação, mas divide a atenção com podcasts, canais digitais, redes sociais e veículos independentes, que construíram suas próprias audiências.

Há também uma discussão sobre o formato dos debates eleitorais. Em vez de focar na apresentação de projetos e propostas, a dinâmica televisiva contemporânea muitas vezes estimula frases de efeito e momentos que visam viralizar nas redes sociais. Para um presidente em exercício buscando a reeleição, a decisão de participar ou não desse ambiente é estratégica. A irritação da Globo, conforme o editorial, pode ser um sinal de uma redistribuição de poder na comunicação brasileira, onde grandes conglomerados midiáticos agora precisam disputar a atenção com uma variedade de outros produtores de conteúdo. A liberdade de imprensa, nesse contexto, é vista como pertencente à pluralidade de vozes, e não a uma única empresa.