A retirada das últimas tropas dos Estados Unidos do Iraque, noticiada recentemente, foi recebida no país como um alívio e uma celebração de sua independência. A ocupação militar, que se estendeu por 23 anos, é associada à morte de cerca de 300 mil iraquianos em decorrência direta da violência. Se consideradas as mortes indiretas por fatores como fome, doenças e precarização de serviços, o número total de vítimas pode ultrapassar 1 milhão. Um estudo da Universidade Brown aponta que as guerras pós-11 de Setembro no Iraque, Afeganistão, Síria e Iêmen resultaram em 3,6 a 3,8 milhões de mortes, a maioria de civis.

Soberania econômica sob questionamento

Apesar do marco da retirada militar, o Iraque enfrenta um desafio significativo em sua soberania, especialmente no que se refere ao controle de seus recursos econômicos. O país não possui forças armadas com capacidade de defesa e Bagdá não recuperou a gestão de suas finanças e do petróleo.

As empresas, majoritariamente estadunidenses, que extraem e exportam petróleo iraquiano, são obrigadas por Washington a depositar os pagamentos em dólares americanos em uma conta específica nos EUA. O governo estadunidense gerencia essa conta, liberando os fundos para Bagdá conforme seu próprio ritmo e conveniência, sem que o governo iraquiano receba diretamente os pagamentos das petroleiras que operam em seu território.

Este modelo de controle financeiro e de recursos estratégicos também está sendo replicado na Venezuela. A prática é vista como benéfica para os Estados Unidos, pois fortalece a ligação entre o mercado de petróleo e o dólar, e garante um controle geopolítico sobre países produtores dessa commodity vital. Há uma percepção de que existe o interesse em expandir a aplicação deste modelo a outros países.