Em uma entrevista concedida à TV 247, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que o Brasil possui condições para um crescimento econômico acelerado em um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, superando a marca de 3% ao ano e, simultaneamente, garantindo a estabilidade da dívida pública.

Dweck refutou a ideia de que o crescimento atual representa o "teto potencial" do país, argumentando que essa visão ignora a capacidade estatal de impulsionar investimentos em infraestrutura e produtividade. A ministra também descredibilizou a retórica de cortes orçamentários defendida pela oposição e pelo mercado financeiro, indicando que o governo já está promovendo a consolidação fiscal sem prejudicar programas sociais e serviços essenciais.

Investimento e expansão da oferta

Questionada sobre o potencial de crescimento nos próximos anos, Dweck contestou diagnósticos liberais que sugerem um esgotamento da mão de obra e do bônus demográfico. Ela destacou que o Produto Interno Bruto (PIB) potencial está diretamente ligado à taxa de investimento, e que o foco é ampliar o investimento público e privado para expandir a capacidade de oferta da economia. A ministra afirmou que o Brasil tem milhões de pessoas em ocupações de baixa produtividade ou na informalidade que podem ser direcionadas para setores de maior produtividade, elevando o potencial do país. Segundo ela, não há motivo para acreditar que o crescimento não possa ser superior a 2,5% ou 3% anualmente.

Dweck relembrou que, com as concessões estruturadas e a retomada de obras públicas pelo Novo PAC, o Brasil atingiu o maior patamar de investimento em infraestrutura em décadas, criando bases logísticas e de conectividade que irão possibilitar um salto no próximo mandato.

Ajuste fiscal sem "tesouraço"

Ao abordar as pressões por um ajuste fiscal com cortes profundos de despesas, a ministra rejeitou a necessidade de medidas cegas de austeridade. Ela enfatizou que os gastos públicos no Brasil não estão descontrolados, crescendo abaixo da média histórica, tanto os obrigatórios quanto os discricionários. Dweck explicou que o governo, sob a liderança do ministro Fernando Haddad, reorganizou as contas, eliminando desonerações sem sentido e implementando uma tributação mais justa sobre a renda dos super-ricos, além de isenção para trabalhadores com salários de até R$ 5 mil.

Essa estratégia permitiu reorganizar o Orçamento da União, recuperar o piso constitucional da Saúde e da Educação, relançar o programa Minha Casa, Minha Vida e caminhar para a entrega de superávit primário, um feito inédito na última década. De acordo com a ministra, metas de superávit entre 1% e 1,5% do PIB são suficientes para ancorar a dívida pública de forma responsável, sem comprometer o funcionamento da máquina pública.

Dívida pública, reservas cambiais e estatais

Dweck também criticou o discurso da gestão anterior sobre a contenção da dívida bruta. Ela detalhou que os números de 2022 não refletiam a realidade, sendo impactados por juros reais negativos, inflação alta (que inflou o PIB nominal), o calote de quase R$ 100 bilhões em precatórios e o rombo nas contas estaduais devido ao corte inconstitucional do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). A ministra reprovou a queima de reservas cambiais para abater a dívida bruta, classificando-a como uma "redução fake" e alertando que essa prática torna o país mais vulnerável a choques internacionais.

Por fim, a ministra refutou os alarmes sobre um suposto colapso financeiro das empresas estatais. Ela esclareceu que os dados de fluxo de caixa divulgados pelo Banco Central não indicam lucro ou prejuízo, e que déficits conjunturais podem ser resultados de pagamentos de dividendos e antecipação de investimentos. Dweck concluiu que, ao analisar o resultado real, o conjunto de 44 empresas estatais e suas subsidiárias gerou quase meio trilhão de reais em lucros nos três primeiros anos do governo Lula, superando em 23% o mesmo período do governo anterior, com Petrobras e Banco do Brasil sendo altamente lucrativos e contribuindo para a economia nacional.