A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades para aumentar sua aprovação e as intenções de voto nas eleições que começam no domingo, 4 de outubro. Apesar da fragilidade do adversário, o nome de Lula não consegue furar o teto imposto pelo antipetismo e pelo sentimento contra tudo o que está por aí.

Desde o início do terceiro mandato, economistas críticos das receitas neoliberais alertam o presidente para os riscos de adotar medidas da Faria Lima. Ainda assim, o governo implementou em sequência o Novo Arcabouço Fiscal, metas de superávit primário e metas de inflação consideradas irrealistas, como a média de 3% ao ano definida pelo Conselho Monetário Nacional.

Pressão por cortes e ajuste fiscal

O Comitê de Política Monetária manteve a taxa Selic em níveis que tornam o Brasil campeão mundial da taxa real de juros. Isso gera despesas financeiras de R$ 1,2 trilhão em 12 meses com juros da dívida pública, enquanto o endividamento das famílias atinge recordes. A situação é agravada pelo fenômeno das apostas esportivas.

Aliados próximos, como o ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendem aprofundar a austeridade em um possível próximo mandato. Durigan, ex-dirigente da Meta, fala em limitar gastos obrigatórios e manter o arcabouço fiscal. O presidente do PT, Edinho Silva, também se manifestou a favor da responsabilidade fiscal, e o ministro José Guimarães sugere um documento com compromissos fiscais, similar à Carta ao Povo Brasileiro de 2002.

Banqueiros e o cerco político

O banqueiro André Esteves, do BTG, defende aprovar medidas impopulares ainda em novembro, citando reformas trabalhista, previdenciária e tributária como exemplos. Para ele, o compromisso dos candidatos com a agenda do financismo é o mais importante.

O cerco do financismo envolve assessores próximos, formadores de opinião e a direção do partido. A estratégia tenta consolidar a narrativa de que não há alternativa à austeridade fiscal, recuperando o espírito do TINA, como o neoliberalismo de Margareth Thatcher.

O governo insiste em propagandear melhorias, mas a população mostra descontentamento. A tentativa de cercar Lula é permanente, com declarações e notícias favoráveis à política de cortes, comprometendo gastos sociais e direitos.