A política brasileira enfrenta um cenário de desilusão, onde a constante exposição a denúncias de corrupção gerou um eleitorado desencantado. Essa atmosfera, que ganhou força com a Operação Lava Jato e se estende até hoje, com a cobertura jornalística frequentemente focada em escândalos, como as relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, fez com que a crença na capacidade do voto de promover melhorias fosse abalada.
A desconfiança se aprofundou ao ponto de qualquer ação política ser vista com ceticismo. A troca de votos por verbas para municípios, uma prática que faz parte do jogo político, passou a ser equiparada a desvio de dinheiro público. Essa criminalização da política, observada por Wanderley Guilherme dos Santos, dificulta a distinção entre atos legítimos e ilegais, como, por exemplo, a análise de despesas parlamentares pelo ministro Flávio Dino, que busca separar emendas benéficas das que não o são.
A perda de valor do voto
Exemplos como o de cidades pequenas pagando altos cachês a artistas, em detrimento de investimentos em educação e saúde, ilustram a desvalorização da política. Para parte da população, um evento de entretenimento pode ser mais valorizado do que a falta de serviços básicos, pois a expectativa de melhora já é baixa. A eleição de figuras como Tiririca, e, posteriormente, Flávio Bolsonaro, que não apresentaram grandes realizações em seus mandatos, contribui para a descrença de que o voto pode mudar algo substancial.
Nesse contexto, a questão fundamental não se resume à escolha entre direita ou esquerda, mas sim à restauração da confiança no voto e na política. Muitos eleitores acreditam que qualquer eleição resultará apenas na substituição de um político corrupto por outro.
Ressignificando a política e o voto
A defesa do voto, especialmente em candidatos que propõem a política como um caminho para solucionar os problemas sociais, torna-se crucial. A consistência na defesa de duas grandes finalidades — a soberania nacional em um quadro democrático e a questão social — é apontada como essencial.
A política deve ser vista como um meio para alcançar a justiça social, garantindo oportunidades iguais para todos, especialmente para os mais pobres. Isso se traduz em propostas como a melhoria da educação básica e superior, a continuidade da redução da mortalidade infantil e a valorização do PIB com investimentos em ciência, tecnologia e inovação. A reabilitação da política e a defesa de uma democracia com forte perfil social são fundamentais para reverter o desencanto do eleitorado e construir um Brasil mais próspero e justo.






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