O sociólogo Celso Rocha de Barros, com doutorado pela Universidade de Oxford, criticou a abordagem da grande imprensa e de analistas políticos em relação ao cancelamento do último debate presidencial televisivo antes do primeiro turno. Em um vídeo publicado em seu Instagram na madrugada desta sexta-feira (2), o sociólogo avaliou que a ausência do presidente Lula (PT) e do candidato Flávio Bolsonaro (PL) foi motivada por escolhas estratégicas de campanha, um ato legítimo, e não por censura.

A manifestação de Barros ocorreu após jornais como O Globo e Folha de São Paulo publicarem análises e editoriais criticando decisões judiciais e o presidente Lula. O Globo sugeriu que intervenções do Judiciário comprometeram a liberdade da emissora, omitindo que Lula participou do Flow Podcast e Flávio desistiu horas antes. A Folha, por sua vez, acusou magistrados do STF e do TSE de afetarem a neutralidade das eleições.

Contexto do Cancelamento e Críticas à Mídia

A TV Globo explicou que o cancelamento do debate se deu após decisões judiciais, como a proibição da ministra Estela Aranha (TSE) de manter um púlpito vazio com o nome de Lula e de direcionar perguntas ao candidato ausente. Além disso, o ministro Gilmar Mendes (STF) determinou a inclusão de Renan Santos (Missão), e o ex-governador Romeu Zema (Novo) também garantiu sua participação judicialmente.

Celso Rocha de Barros rebateu o que chamou de tom alarmista da mídia, argumentando que decisões judiciais fundamentadas estão sendo distorcidas para criar uma falsa narrativa de partidarismo do Judiciário. Ele expressou que quem defende censura do STF ou sugere voto em candidatos com propostas antidemocráticas demonstra incompetência profissional e falta de entendimento da política brasileira.

Alertas para as Eleições de 2026 e o Papel dos Analistas

O sociólogo também alertou para a irresponsabilidade de alguns analistas ao desconsiderarem os perigos reais que as instituições brasileiras enfrentam nas próximas eleições. Ele fez um paralelo com a ameaça de intervenção americana e a possibilidade de retorno ao poder de grupos que tentaram golpes anteriores, questionando a seriedade de quem vê o episódio do debate como uma mega crise institucional capaz de justificar a desestabilização das instituições brasileiras.

Ao concluir sua análise, Celso Rocha de Barros sublinhou a necessidade de elevar a qualidade do debate público no Brasil, especialmente diante das ameaças à democracia. Ele afirmou que “O Brasil, decididamente, merece um nível de comentarista político melhor”.