O ministro Kássio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), não respondeu diretamente sobre um jantar privado que, segundo mensagens, teria envolvido seu chefe de gabinete e Flávio Bolsonaro (PL) para facilitar o acesso de um advogado ao seu gabinete. O magistrado, por meio de sua assessoria, limitou-se a declarar nesta terça-feira (29) que atende parlamentares de diversas legendas e que essa prática é comum e não afeta a imparcialidade dos ministros da Corte.

A informação, divulgada por Daniela Lima no programa Pulso Político do Canal UOL, baseia-se em material originalmente publicado pelo PlatôBR. As mensagens em questão indicam uma suposta articulação do senador Flávio Bolsonaro para abrir portas no gabinete de Nunes Marques em favor de um advogado. A assessoria do ministro enfatizou que o atendimento a parlamentares de diferentes partidos e com interesses diversos é uma prática comum em todos os gabinetes do Supremo, sem comprometer a isenção dos magistrados.

Jantar privado sem esclarecimentos

A explicação do ministro, contudo, aborda apenas a prática de receber parlamentares. A questão central levantada pelas mensagens é o jantar na casa de Alan Belaciano, que teria contado com a participação do chefe de gabinete de Nunes Marques para discutir o assunto. Daniela Lima ressaltou essa distinção, apontando que reuniões institucionais são parte da rotina dos tribunais, especialmente quando agendadas formalmente.

Entretanto, o jantar descrito nas mensagens parece ter ocorrido em circunstâncias diferentes, fora do que seria considerado um expediente comum. A resposta da assessoria de Nunes Marques não esclarece se o jantar de fato aconteceu, qual foi a participação de seu chefe de gabinete, se o ministro tinha conhecimento do encontro ou qual assunto teria sido tratado na ocasião. Esses são os pontos específicos levantados pelas mensagens que permanecem sem resposta.

Citações a Flávio Bolsonaro

O material divulgado pelo PlatôBR também menciona a atuação de Flávio Bolsonaro para facilitar o acesso de um advogado ao gabinete do ministro. Ao responder que recebe parlamentares de diferentes partidos, Nunes Marques não detalhou os contatos que teria tido com o senador nem as circunstâncias do episódio descrito nas mensagens. Daniela Lima interpretou a manifestação como um reconhecimento da existência de contatos entre os dois, embora a resposta busque enquadrá-los na rotina institucional do STF.

A questão principal, entretanto, não se restringe à possibilidade de um ministro do Supremo receber um senador. O ponto ainda não esclarecido é se houve uma articulação para facilitar o acesso de um advogado ao gabinete e qual o papel do jantar privado mencionado nas mensagens. Ao se limitar a defender a normalidade dos contatos institucionais com representantes partidários, Nunes Marques deixou sem resposta as circunstâncias específicas que geraram os questionamentos.