A repercussão em torno de Nossa Senhora Aparecida nas redes sociais totalizou 977,6 mil publicações e 8,5 milhões de interações em apenas 55 horas. Esse fenômeno foi alimentado pela disseminação de notícias falsas que associavam um candidato à Presidência da República a uma proposta de lei para retirar o título de padroeira do Brasil da santa, uma informação que não corresponde à realidade do projeto em questão.
O monitoramento, realizado pelo Instituto Democracia em Xeque (DX), indicou que nas primeiras 24 horas foram registradas 669,9 mil publicações. Esse volume posicionou o evento como o terceiro maior pico de debate político nas redes em 2026, conforme o acompanhamento do instituto. A repercussão inicial foi superada apenas por discussões entre ministros do Supremo Tribunal Federal e pela divulgação de áudios relacionados a um candidato e ao financiamento de um filme.
Origem e Rejeição do Projeto de Lei
A controvérsia ganhou força a partir da recuperação do Projeto de Lei 2623/2007, de autoria do então deputado federal Professor Victorio Galli. O PL visava modificar a Lei 6.802/1980, substituindo a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. No entanto, a Câmara dos Deputados registrou que a proposta foi rejeitada em seu mérito e arquivada em 22 de agosto de 2008, não tendo qualquer envolvimento do candidato citado na polêmica, que na época era deputado estadual no Rio de Janeiro.
Apesar do arquivamento do projeto, a desinformação circulou amplamente em 2026, associando indevidamente o candidato do Partido Liberal à iniciativa. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), classificou o conteúdo como “notoriamente inverídico” e determinou a remoção das publicações que atribuíam ao candidato a intenção de modificar o título de Nossa Senhora Aparecida, com multa diária de R$ 50 mil para as plataformas em caso de descumprimento.
Divisão e Alcance do Debate
Uma análise de 345 publicações de perfis políticos monitorados pelo Instituto Democracia em Xeque revelou que 66% dos posts eram de atores de esquerda, 33% de direita e 1% da imprensa. As interações geradas por essas publicações seguiram um padrão similar, com 70% vindas de perfis de esquerda e 30% de direita. O debate se dividiu em quatro eixos temáticos, sendo o maior deles, com 53% dos posts, focado diretamente na possibilidade de retirada do título da santa.
A discussão também alcançou a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, onde um coordenador-geral republicou uma mensagem que defendia a continuidade do compartilhamento do conteúdo, mesmo após a retratação de um veículo de imprensa. A campanha do candidato em questão apresentou uma notícia-crime e solicitou medidas contra o coordenador da Secom.






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