O vice-presidente da China, Han Zheng, fez um apelo para que sejam encerradas as ameaças de uso de força e as sanções impostas a Cuba, além de defender o respeito à soberania dos países do Golfo. As declarações foram proferidas no sábado (26), durante a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).

A manifestação de Han Zheng ocorreu poucos dias depois de um encontro entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington. Embora não tenha nomeado os Estados Unidos diretamente ao abordar a questão cubana, o vice-presidente chinês dirigiu seu apelo ao “país em questão”. Ele instou que a nação cessasse imediatamente o uso da ameaça de força contra Cuba e suspendesse o bloqueio e as sanções de forma completa e imediata.

Situação de Cuba e Oriente Médio

A cobrança chinesa acontece em um momento de intensa pressão dos EUA sobre Cuba. As restrições no fornecimento de petróleo, intensificadas desde janeiro, agravaram a escassez de combustível na ilha. No início de setembro, um colapso na rede elétrica deixou milhões de pessoas sem energia, evidenciando problemas de infraestrutura no sistema de geração do país.

Em relação ao Oriente Médio, Han Zheng enfatizou que a soberania e a segurança das nações da região, incluindo as do Golfo, devem ser respeitadas. Esta declaração sucede ataques conjuntos de EUA e Israel ao Irã em fevereiro. Na véspera do discurso chinês, o embaixador norte-americano na China afirmou que Trump havia alertado Xi sobre o apoio chinês ao Irã durante as conversas em Washington, e teria recebido garantias de que tal apoio não ocorreria. Relatos indicaram acusações de fornecimento chinês de lançadores portáteis de mísseis antiaéreos ao Irã e de assistência para contornar sanções às vendas de petróleo iraniano.

Papel das grandes potências e visão russa

Han Zheng associou a postura chinesa à responsabilidade das grandes potências na política internacional. Ele afirmou que esses países devem ter responsabilidades especiais na proteção da paz e segurança globais, sendo líderes no cumprimento das regras, na defesa do Estado de Direito e na prática do que é correto. Horas após a fala chinesa, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, também solicitou na ONU o fim do “cerco” a Cuba por Washington e a suspensão das restrições comerciais, além de pedir a retirada da ilha da lista norte-americana de patrocinadores do terrorismo.

Para concluir sua fala, Han Zheng apresentou a China como uma defensora da participação de países em desenvolvimento nas decisões internacionais. Ele reiterou que todos os países, independentemente do tamanho, são membros iguais da comunidade internacional e que os assuntos globais devem ser tratados por meio de consultas entre todos.