O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o arquivamento da investigação que envolvia três ex-integrantes da direção da Polícia Rodoviária Federal (PRF) por suas participações nas blitzes realizadas durante o segundo turno da eleição presidencial de 2022, principalmente no Nordeste. A decisão, tomada nesta terça-feira (22), beneficia Djairlon Henrique Moura, Luis Carlos Reischak Junior e Rodrigo Cardozo Hoppe, e segue o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não encontrou elementos suficientes contra eles.

Djairlon Henrique Moura ocupava a Diretoria de Operações da PRF, Luis Carlos Reischak Júnior comandava a Diretoria de Inteligência e também foi superintendente no Rio Grande do Sul, enquanto Rodrigo Cardozo Hoppe atuava na área de inteligência da corporação. A Polícia Federal havia indiciado os três em janeiro de 2025, junto com outros dois investigados, sob suspeitas de desobediência, prevaricação, restrição ao direito de voto e participação por omissão em tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Blitzes concentradas no Nordeste

As fiscalizações da PRF no dia 30 de outubro de 2022, quando Lula disputou o segundo turno contra Jair Bolsonaro, levantaram questionamentos pela distribuição regional das abordagens. Dados do Ministério da Justiça mostraram que a PRF fiscalizou 2.185 ônibus no Nordeste entre 28 e 30 de outubro, contra 571 no Sudeste, 893 no Centro-Oeste, 632 no Sul e 310 no Norte. O Nordeste concentrou cerca de 47% das abordagens a ônibus no período, e a corporação mobilizou 795 agentes na região, número superior ao de outras áreas.

Na época, Moraes, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a PRF interrompesse operações que pudessem comprometer o transporte de eleitores. O diretor-geral da PRF então era Silvinei Vasques, que havia manifestado apoio a Jair Bolsonaro nas redes sociais na véspera da votação. Vasques negou que as ações tivessem direcionamento político e afirmou que o objetivo era combater crimes eleitorais.

Djairlon, em depoimento ao STF em maio de 2025, disse que recebeu orientação do Ministério da Justiça para fiscalizar ônibus em deslocamento para o Nordeste e negou qualquer direcionamento. Os números das operações alimentaram investigações da Polícia Federal e foram citados na CPMI dos atos de 8 de janeiro.

PGR não viu base para acusação

A Procuradoria-Geral da República analisou as provas reunidas pela Polícia Federal e concluiu que não havia elementos suficientes para dar continuidade à investigação contra os três ex-diretores. Moraes acolheu o entendimento e arquivou o caso, encerrando essa frente da apuração criminal. A decisão não altera os dados documentados sobre as fiscalizações nem afeta outros processos e investigações relacionadas à atuação de agentes públicos no período eleitoral.