A Universidade de Comunicação da China sediou o 4º Workshop “Compreendendo a Modernização Chinesa”, que se encerrou em 28 de setembro, como parte das atividades do Ano Cultural Brasil-China de 2026. Com o tema “Avançar em direção à prosperidade comum”, o evento, que começou em 22 de setembro, reuniu acadêmicos, jornalistas e empresários brasileiros, tanto do Brasil quanto residentes na China.
Os participantes tiveram a oportunidade de se aprofundar nas práticas da modernização chinesa e na promoção da prosperidade comum por meio de palestras, debates e visitas de campo. Ren Mengshan, vice-reitor da universidade anfitriã, expressou a expectativa de que o diálogo aprofundado com os colegas chineses e o compartilhamento de experiências brasileiras contribuam para a troca cultural e a criação de conhecimentos.
Integração Histórica e Tecnológica
Durante o workshop, a delegação brasileira visitou diversos locais em Pequim e Zhejiang. Alejandro Barrios, professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília, destacou que a modernização chinesa é um projeto histórico que articula Estado, sociedade, território e a própria civilização chinesa, e não apenas um processo econômico. Ele notou a impressionante combinação de tecnologia contemporânea com uma forte consciência da continuidade histórica, indicando que a modernização não rompe com o passado, mas o transforma para construir o futuro.
Renato Peneluppi, advogado e diretor do Conselho de Cidadãos Brasileiros de Pequim, observou como a ideia de modernização chinesa se manifesta em políticas, tecnologias e na vida cotidiana. Em sua visita à vila de pintura Yudong, em Quzhou, província de Zhejiang, Peneluppi percebeu que a revitalização rural vai além do aumento de renda, englobando desenvolvimento cultural, turístico e social, e gerando novas oportunidades para as comunidades. Ele ressaltou que a modernização busca a prosperidade comum, revitalização rural, avanço tecnológico, melhoria de serviços públicos e a preservação da cultura e história.
Prosperidade Comum e Aprendizado Mútuo
A prosperidade comum, característica central da modernização chinesa, foi o tema principal dos debates, sendo reconhecida pelos acadêmicos brasileiros como um conceito valioso para países do Sul Global, por seus princípios de desenvolvimento equilibrado, inclusivo e sustentável. Peneluppi enfatizou que “não existe um modelo universal de modernização”, defendendo que cada país deve considerar sua história, geografia, recursos e as necessidades de sua população.
Barrios salientou a necessidade de um aprendizado mútuo. O Brasil pode aprender com a experiência chinesa em planejamento de longo prazo, infraestrutura, política industrial e na articulação entre desenvolvimento tecnológico e econômico. A China, por sua vez, pode aprender com a diversidade social brasileira, a riqueza ambiental e a construção de instituições em uma sociedade plural. Yan Qiaorong, diretora do Centro de Pesquisa de Comunicação Brasileira da Universidade de Comunicação da China, reforçou que China e Brasil podem avançar juntos no caminho da modernização, aprendendo um com o outro.






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