247 – O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, publicou um vídeo produzido com inteligência artificial no qual celebra as condições de fome impostas a prisioneiros palestinos no sistema prisional israelense.
A publicação, divulgada por Ben-Gvir na segunda-feira (31), foi posteriormente apagada. O vídeo integra a campanha eleitoral do ministro de extrema direita, líder do partido Poder Judaico, que busca a reeleição para o Parlamento israelense.
As imagens mostram presos palestinos comemorando uma condenação e imaginando que encontrariam regalias na prisão, como comida, doces e cigarros. Em seguida, Ben-Gvir aparece retirando esses benefícios ao apertar um botão.
Na sequência, os indivíduos são conduzidos para uma prisão em uma espécie de linha de montagem. As imagens os mostram entrando gordos e saindo magros, famintos e em prantos.
Denúncias de maus-tratos
Segundo o jornal Folha de São Paulo, a prisão retratada no vídeo foi comparada por críticos do ministro a um campo de concentração nazista. Palestinos detidos em Israel denunciam maus-tratos há anos.
A organização de direitos humanos B’Tselem afirma que o governo israelense opera “uma rede de campos de tortura” em seu sistema prisional, onde também há relatos de abusos sexuais e outras humilhações contra detentos.
Em 2025, a Suprema Corte de Israel concluiu que os presos não recebiam quantidades adequadas de comida e determinou que o governo melhorasse a situação nutricional dos detentos. O tribunal afirmou que o Estado tem a obrigação de assegurar “o nível básico de existência” aos presos.
O episódio ocorre poucos dias depois de outra publicação controversa de Ben-Gvir. No domingo (30), ele divulgou imagens de uma visita a uma unidade prisional feminina, onde discutiu com detentas palestinas e afirmou que elas recebiam tratamento muito melhor em Israel do que os reféns mantidos pelo Hamas após as ações de 7 de outubro.
Sanções e declarações extremistas
Ben-Gvir já foi alvo de críticas internacionais por suas declarações e ações. Ele está sob sanções do Reino Unido, Austrália, Canadá, França, Irlanda e Noruega.
A França também proibiu a entrada do ministro no país após a divulgação de um vídeo que mostrava ativistas de uma flotilha humanitária destinada a romper o bloqueio genocida contra Gaza detidos com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão.
Em 16 de agosto, Ben-Gvir afirmou que Israel deveria matar “de 30 a 40” pessoas por dia na Faixa de Gaza e construir assentamentos no território palestino.
A declaração provocou condenações, inclusive da Alemanha. O primeiro-ministro alemão, Friedrich Merz, afirmou, por meio de um porta-voz, que “declarações que ferem o direito internacional e a dignidade humana não são aceitáveis”.
Em julho, ao comentar o plano de paz para Gaza apoiado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Ben-Gvir declarou que “só se pode negociar com nazistas por meio da mira da arma”. “A única solução para Gaza é encorajar a emigração [de palestinos] e destruir o Hamas”, afirmou.
Em junho, durante confrontos entre Israel e Hezbollah, o ministro escreveu no X: “Para cada lágrima de uma mãe israelense, mil mães libanesas precisam chorar. Todo o Líbano precisa queimar!”.
Em novembro de 2023, Ben-Gvir afirmou: “Quando digo que o Hamas precisa ser eliminado, isso também inclui aqueles que cantam, aqueles que apoiam e aqueles que distribuem doces [em Gaza]. Todos são terroristas”.
Em 2019, o atual ministro israelense também defendeu a expulsão de cidadãos israelenses de origem árabe que, segundo ele, não fossem suficientemente leais ao país.






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