247 – A colaboração premiada do empresário João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, aumentou entre executivos do mercado financeiro a expectativa de uma nova rodada de investigações e operações envolvendo empresas e personagens da Faria Lima, principal centro financeiro de São Paulo.
Nesta quarta-feira (2) foi divulgada a informação de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) assinou um acordo de delação premiada com João Carlos Mansur, no âmbito das investigações da Operação Compliance Zero.
Segundo a Folha de São Paulo, pessoas que acompanharam o trabalho de Mansur afirmam que o empresário domina a montagem de estruturas financeiras complexas e atuou pessoalmente nas principais transações relacionadas aos interesses de Daniel Vorcaro quando ele controlava o Banco Master.
Conhecimento sobre estruturas financeiras
A importância atribuída à delação está diretamente relacionada ao conhecimento acumulado por Mansur sobre essas operações. As informações fornecidas pelo empresário poderiam funcionar como atalhos para investigadores percorrerem estruturas montadas dentro de fundos de investimento, agilizando procedimentos que poderiam exigir meses de apuração.
Mansur teria condições de detalhar o número de transações, identificar a participação de cada envolvido — tanto no setor privado quanto na política — e apontar a origem e o destino do dinheiro utilizado.
Um profissional que acompanhou de perto o trabalho do empresário comparou seu perfil ao de Alberto Youssef e Lúcio Funaro, dois personagens que foram alvos de operações relacionadas à Lava Jato.
Segundo o relato, Mansur teria ousadia comparável à de Youssef, doleiro que movimentou grandes cifras, e capacidade de organização semelhante à de Funaro, operador financeiro que fazia a ponte entre empresários e políticos e mantinha em seu escritório um sistema interno de câmeras que registrava reuniões com visitantes.
A comparação indica, segundo a reportagem, que Mansur não teria apenas domínio técnico sobre as operações, mas também reunido material relacionado às estruturas financeiras das quais participou.
Seis fundos somavam R$ 102,4 bilhões
Não existe um levantamento consolidado sobre todas as operações do Banco Master e de Daniel Vorcaro dentro da Reag. O Banco Central, no entanto, identificou ao menos seis fundos: Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Olaf 95, Maia 95 e Anna.
Somados, eles apresentavam patrimônio líquido de R$ 102,4 bilhões. Em pelo menos quatro desses fundos, foram identificados indícios de ligação com o crime organizado, de acordo com a reportagem.
A dimensão das estruturas financeiras envolvidas ajuda a explicar a expectativa em torno das informações que Mansur pode fornecer aos investigadores.
Reag chegou a administrar R$ 340 bilhões
No auge de suas atividades, o grupo Reag chegou a administrar R$ 340 bilhões distribuídos entre centenas de fundos, tornando-se a maior casa independente do segmento.
Mansur fundou a Reag em 2012 como administradora fiduciária, atividade que envolve funções relacionadas à estrutura dos fundos, como CNPJ, cotistas, caixa e assembleias.
Posteriormente, o grupo criou um braço de gestão, adquirindo autonomia para escolher ativos. A expansão continuou com uma Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), instituição autorizada pelo Banco Central a atuar em atividades como distribuição, custódia e escrituração de valores mobiliários.
Operação Carbono Oculto atingiu a Reag
A Reag esteve entre os principais alvos da operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025. Dos 40 fundos investigados por suspeita de conexão com o Primeiro Comando da Capital (PCC), quase uma dúzia estava na Reag, a maior concentração registrada entre as casas investigadas.
Em janeiro de 2026, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag DTVM. Ao anunciar a decisão, a autoridade monetária citou “graves violações” das normas do Sistema Financeiro Nacional.






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