A reta final da campanha eleitoral brasileira trouxe para o centro do debate da imprensa internacional a possibilidade de ações dos Estados Unidos impactarem o pleito presidencial. Notícias e análises publicadas por veículos como The New York Times, The Guardian, Le Monde e Reuters discutem desde as relações do presidente dos EUA, Donald Trump, com aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) até as precauções tomadas pelo Brasil e a segurança do processo eleitoral.

Análises e Perspectivas Internacionais

O The New York Times descreveu a eleição brasileira como um teste significativo para a direita latino-americana e para a influência política de Trump na região. Embora Trump não tenha declarado apoio formal a nenhum candidato, o jornal interpretou sua postura como um favorecimento 'mais sutil' a Flávio Bolsonaro. A publicação americana também reportou que autoridades brasileiras adotaram medidas preventivas contra possível interferência estrangeira, como o monitoramento de atividades de lobby e campanhas de desinformação, combate a falsas alegações de fraude e contatos com outros governos. O NYT levantou a hipótese de uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro fortalecer a convergência entre Brasília e Washington em áreas como segurança pública e combate ao crime organizado, além da possibilidade de contestação do resultado eleitoral em caso de derrota, com expectativa de apoio de Trump.

No Reino Unido, o The Guardian publicou um editorial que descreveu Flávio Bolsonaro como uma versão 'menos grosseira e temperamental', porém 'não menos extremista', de Jair Bolsonaro. O jornal britânico mencionou propostas de privatizações e redução de gastos e impostos na agenda econômica atribuída a Flávio Bolsonaro, além da intenção de nomear ministros conservadores para o Supremo Tribunal Federal. O Guardian também destacou o histórico de questionamentos sobre as urnas eletrônicas por membros da família Bolsonaro. O impacto de uma mudança de governo nas relações internacionais e na política ambiental também foi abordado, com a análise de que uma vitória de Flávio Bolsonaro seria bem recebida pelo governo Trump e pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio.

Manifestos e Avaliações de Inteligência

Na França, o jornal Le Monde publicou um manifesto assinado por mais de 30 personalidades, incluindo Chico Buarque, o ex-jogador Raí e os economistas Thomas Piketty e Joseph Stiglitz, que expressa preocupação com a atuação do governo Trump em relação ao Brasil. Os signatários mencionaram medidas tomadas pelo governo americano contra o Brasil e acusaram Flávio Bolsonaro de ser 'cúmplice' da influência dos Estados Unidos no processo eleitoral, afirmando que a eleição determinará 'se a maior democracia da América Latina continuará a ser uma democracia'.

A Reuters informou que autoridades europeias, incluindo representantes da França e da Alemanha, foram apresentadas a avaliações brasileiras sobre possíveis interferências externas na eleição. A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) teria fornecido informações relacionadas a supostas ações dos Estados Unidos e da Rússia, incluindo atividades classificadas como 'lawfare' por parte dos americanos. A agência também registrou que Lula teria advertido Trump contra qualquer tentativa de interferência. Além disso, a Reuters destacou o aumento dos ataques cibernéticos no Brasil, que quase dobraram em comparação com 2025, e o crescimento das invasões e tentativas de phishing direcionadas à Presidência da República.