O jornalista relembrou, neste momento de luto pela morte de Zuenir Ventura, a cobertura do julgamento dos assassinos de Chico Mendes, realizada em dezembro de 1990, em Xapuri, no Acre, ao lado do mestre, de Mary e de outros colegas.

Ele destacou que a viagem não foi uma pauta comum. Antes do júri, a equipe se preparou com antecedência para enfrentar a estrutura precária da cidade e acompanhar de perto a semana de julgamento.

Preparação para o julgamento em Xapuri

Segundo o relato, o grupo trabalhou em um caderno especial sobre o caso, publicado no domingo anterior ao início do julgamento, em 9 de dezembro de 1990. Também houve uma conversa em São Paulo com o advogado Márcio Thomaz Bastos, que atuou como assistente de acusação no júri.

Em Xapuri, o Jornal do Brasil precisou organizar uma base improvisada. Como a cidade não tinha hotel em boas condições, o jornal negociou o empréstimo de uma casa do Banco do Amazonas. Móveis foram conseguidos com o bispo do Acre, dom Moacyr Grechi, e duas linhas telefônicas foram alugadas para as comunicações.

Condenação dos acusados

O julgamento durou uma semana, de segunda-feira, 10, até a noite de sábado, 15 de dezembro, quando o juiz Adair José Longuini anunciou a condenação do fazendeiro Darci Alves da Silva, então com 54 anos, e de seu filho Darly Alves Pereira, 23 anos à época, a 19 anos de prisão.

O autor também lembrou que Zuenir Ventura foi ao Acre depois de vencer a resistência inicial para refazer a trajetória de Chico Mendes, e que dessa viagem trouxe um material que mais tarde virou livro, além de ter levado consigo a principal testemunha do assassinato, o jovem Genésio.

No encerramento do relato, ele afirma que a experiência ao lado de Zuenir Ventura e Mary foi um dos momentos mais marcantes de sua vida profissional.